Um vídeo de um show do Daft Punk em 2007 acabou de aparecer na web

Daft Punk não faz muitas apresentações ao vivo. Na verdade, elas são tão raras que hoje em dia elas alcançaram aquela fama quase mítica e quando imagens de uma apresentação deles aparece na internet, é como se alguém tivesse conseguido gravar um ovni aparecendo.

Esse show que Johnny Airbag divulgou no YouTube fez parte do Alive 2007, um disco com gravações da turnê do Daft Punk. O vídeo foi gravado em Chicago em 2007, no primeiro dia do Lollapalooza.

O último álbum do duo foi Random Access Memories, em 2013, e já passou da hora de aparecer um novo disco por aí.

Via Kottke.

Qual a melhor dupla de jogos Mario & Zelda?

Esses dias, enquanto eu terminava de jogar um dos Metroid Prime para fechar a trilogia de ranking das três franquias principais da Nintendo, eu fiquei traçando o histórico dos jogos de Metroid, Super Mario e The Legend of Zelda de acordo com as gerações de consoles. Chegou num ponto em que eu comecei catalogar como os jogos dessas franquias pontuaram os videogames da empresa, até que cheguei nessa lista.

Esse é um ranking rápido das melhores duplas de jogos dos consoles da Nintendo de acordo com a qualidade dos jogos. A melhor dupla não significa que tem os melhores jogos das duas franquias (pra isso confira o ranking do Super Mario e o ranking de The Legend of Zelda), e sim que a média dos dois jogos é a melhor.

Eu só vou levar em conta o principal volume da plataforma — então continuações ou spin-offs não contam. Eu acabei percebendo que o GBA não teve um título original de Super Mario, então The Minish Cap acaba não entrando na lista, enquanto o Wii possui duas gerações das duas franquias, então ele entra no ranking duas vezes — e, pra complicar mais um pouquinho, Breath of the Wild aparece em dois consoles distintos.

É surpreendentemente difícil de classificar essa lista, porque quando Super Mario lança um jogo mais ou menos, Zelda lança um baita jogo, e vice-versa. A exceção é o Nintendo DS, que tem um jogo bom do Mario, mas nada demais, e um jogo completamente esquecível de Zelda. Já o Game Boy tem o melhor Zelda de todos e um dos piores Mario (se é que um jogo do Mario consegue ser ruim).

  1. DS: New Super Mario Bros. e Phantom Hourglass.
  2. NES: Super Mario Bros. e The Legend of Zelda.
  3. Game Boy: Super Mario Land e Link’s Awakening.
  4. GameCube: Super Mario Sunshine e The Wind Waker.
  5. Wii: New Super Mario Bros. Wii e Skyward Sword.
  6. Switch: Super Mario Odyssey e Breath of the Wild.
  7. 3DS: Super Mario 3D Land e A Link Between Worlds.
  8. Wii: Super Mario Galaxy e Twilight Princess.
  9. Wii U: Super Mario 3D World e Breath of the Wild.
  10. N64: Super Mario 64 e Ocarina of Time.
  11. Super NES: Super Mario World e A Link to the Past.

Não me peça pra justificar as decisões.

Aparentemente descobriram uma nova tonalidade de azul

Farelos da nova tonalidade de azul, YInMn

Eu sempre achei que se tinha uma coisa que a gente já tinha total conhecimento, eram as cores. Nunca imaginei que (1) seres humanos conseguem criar tonalidades de cor; e (2) exista alguma cor que a gente ainda não tenha visto. Mas descobri que essas minhas duas certezas não faziam sentido quando eu li esse artigo sobre a primeira nova tonalidade de azul em dois séculos, YInMn.

O artigo é ótimo se você, como eu, não tem ideia de como tonalidades são criadas, nomeadas, patenteadas e licenciadas para uso (e como esses usos são categorizados de maneiras bem específicas). Sempre achei que cores fossem algo que a gente não tem domínio sobre porque é um aspecto intrinsicamente natural, já que quase tudo tem cor, mas olha como esse é um processo muito artificial:

Like all good discoveries, the new pigment was identified by coincidence. A team of chemists at Oregon State University (OSU), led by Mas Subramanian, was experimenting with rare earth elements while developing materials for use in electronics in 2009 when the pigment was accidentally created.

Andrew Smith, a graduate student at the time, mixed Yttrium, Indium, Manganese, and Oxygen at about 2000 °F. What emerged from the furnace was a never-before-seen brilliant blue compound. Subramanian understood immediately that his team stumbled on a major discovery.

“People have been looking for a good, durable blue color for a couple of centuries,” the researcher told NPR in 2016.

Não é todo o dia que meu mundo vira de ponta cabeça com um detalhe novo sobre como ele funciona. Hoje foi um desses dias.

Você precisa usar a Lista de Leitura do seu navegador favorito

Ali por 2017 eu voltei a usar um leitor RSS. Desde a morte do Google Reader lá no longínquo ano de 2013 eu não usava um RSS. Como outros milhares de usuários, eu acreditei que o Twitter e o Facebook eram uma boa alternativa: eles também tinham um feed de notícias e eu podia acompanhar meus sites e blogs favoritos por ali. É claro que eu tava enganado, os algoritmos do Facebook e do Twitter manipulavam seus feeds, e eu gradulamente fui parando de acompanhar os sites e os blogs que eu gostava, que ficavam dando espaço para posts de pessoas e de veículos que eu odiava, porque raiva cria mais engajamento — você vai comentar, reagir, compartilhar para mostrar para seus amigos como aquele post era péssimo e tudo o mais. Chegou num ponto, ali em 2017, que eu simplesmente odiava estar na internet.

Foi quando eu revivi minha conta no Feedly1, reorganizei meus feeds, limpei os sites que pararam de atualizar e os blogs que morreram naquele intervalo de cinco anos, e voltei a consumir notícias e textos principalmente por RSS. É difícil de dizer como isso mudou minha vida. Eu passo a maior parte dos meus dias na frente do computador, seja trabalhando, seja vendo filme, jogando alguma coisa ou conversando com meus amigos. Voltar a usar o RSS e a ter controle sobre minha própria curadoria da internet é excelente. Ao contrário do que outras pessoas dizem, fazer isso não nos isola ao redor das nossas próprias opiniões. Diferente do Facebook e do Twitter, os veículos que usam RSS são principalmente revistas digitais, blogs e sites de notícias. Eles não são voltados ao engajamento de posts curtos que removem o contexto de notícias ou se beneficiam de hot takes, eles prezam por textos mais longos e elaborados, onde o contexto em que algo está sendo escrito é tão importante quanto o motivo do texto em si. Não é à toa que, se a toxicidade da internet sempre existiu, ela estava muito mais escondida antes das redes sociais explodirem no final dos anos 2000: as plataformas que usávamos — fóruns, RSS e newsletters — eram mantidos por pessoas que também usavam essas mesmas plataformas, e se importavam em manter a qualidade delas.


Enfim, conforme eu fui me readaptando ao RSS eu comecei a usar um outro recurso que até então eu era bem cético, a Lista de Leitura. Eu nunca dei muita bola pra esse tipo de recurso até que eu precisei começar a organizar e fazer anotações das minhas referências pra dissertação de conclusão da faculdade, que consistiam principalmente em artigos de sites da internet (as discussões que eu tive com meu orientador sobre isso valem um post). Foi quando eu decidi experimentar o Instapaper, o pai desse tipo de serviço. No Instapaper você pode adicionar links que você quer ler depois, e o aplicativo faz o trabalho de extrair o conteúdo desse link, formatá-lo em um jeito confortável de ler (você pode personalizar cor e tipografia) e destacar e fazer anotações em trechos desse conteúdo. O Instapaper me ajudou horrores nessa época, porque eu podia organizar os links das minhas referências por capítulos da dissertação, destacar as partes que eu queria fazer uma citação direta, e ele registrava a data em que eu acessei esses artigos. Naquele ano o Instapaper virou o meu melhor amigo.

Há muito tempo que o Instapaper não é o serviço mais conhecido ou mais bem sucedido desse tipo. A funcionalidade é tão boa, e por um tempo ele se tornou tão essencial pra tanta gente, que os próprios navegadores começaram a criar recursos semelhantes integrados. O Chrome adicionou há poucas semanas o Read Later, o Safari possui a Lista de Leitura há alguns anos já; e o Firefox é integrado ao Pocket, uma alternativa mais poderosa e mais famosa ao Instapaper.

Todas essas opções fazem a mesma coisa: você salva um link nele e ele armazena em uma lista. O Safari e o Firefox possuem até mesmo uma “visão de leitor”, que basicamente reformatam o conteúdo do site, removendo anúncios e elementos gráficos que não pertencem ao texto principal. E o Pocket, que é integrado ao Firefox mas que você pode integrar através de extensões no seu navegador favorito, possui o mesmo recurso de tags e anotações do Instapaper. O fato de eles serem integrados aos navegadores, inclusive, permitem que sua lista de leitura seja sincronizada com todos os seus dispositivos e permite que os textos sejam salvos para serem lidos offline — para quando você for pra praia, em 2026, ver que não tem sinal e descobrir uma pilha de textos salvos sobre assuntos que você tinha muita curiosidade para ler sobre anos antes.

Lista de Leitura não é só útil para você salvar aquele texto longo que você encontrou no meio do caminho, quando você está navegando procurando alguma coisa e tinha um link para esse texto levemente relacionado que você quer ler uma hora dessas. Ele é excelente para esses casos, mas ele também é ótimo pelos mesmos motivos que um leitor RSS: ele ajuda na nossa curadoria do que consumimos na internet, nos incentivando a tirar um tempo para dar atenção à um conteúdo que oferece mais contexto e desenvolve mais um assunto do que uma thread no Twitter ou um textão no Facebook.

Esses recursos fazem um bem danado para sua saúde mental, mas para a saúde do seu computador e do seu celular também. Navegadores, principalmente o Chrome, deixaram de ser esses aplicativos leves e ultra rápidos e se tornaram um buraco negro que suga toda a energia e memória dos seus dispositivos porque acabamos tendo o péssimo hábito de deixarmos tudo o que queremos aberto em dezenas de abas que e usando recursos até que a gente decide que não quer mais ler aquilo porque o navegador está lento demais. Esses recursos existem justamente para resolver esse problema.

É comum a gente esquecer como o navegador é uma ferramenta poderosa simplesmente porque passamos o dia na frente dele. Mas um navegador nos oferece várias ferramentas para organizarmos o nosso consumo da internet, justamente para não nos sentirmos sugados por ela. Recursos como a Lista de Leitura e os Favoritos nos permitem salvar e organizar nossos links favoritos.

  1. Do Feedly eu fui para o The Old Reader por um tempo, até que estacionei no Feedbin, o melhor cliente RSS que eu usei até aqui. Essa é uma das belezas do RSS: é um padrão aberto, e os dados são seus. Não quer mais usar um serviço porque achou um melhor? É só exportar sua lista de feeds e importar no outro. 

Apreciando os trailers de Breath of the Wild

Eu acordo mais de uma vez por semana pensando algo do tipo “o que será que vai acontecer em Breath of the Wild 2?” ou “quando vai ser lançado?” ou ainda “será que a Zelda vai ser jogável?”. Em alguns desses dias eu revejo a única informação confirmada de Breath of the Wild 2: um trailer que anuncia o seu desenvolvimento:

E geralmente isso me faz perceber como é bom esperar por um novo jogo de Zelda. Só não é tão bom quanto finalmente jogar ele. Hoje em dia, com The Legend of Zelda: Breath of the Wild tendo sido lançado há quase quatro anos, é fácil de esquecer que esse também foi um jogo que a gente sonhou por muito tempo, e que por grande parte desse tempo a gente sabia muito pouco sobre ele.

Quando foi anunciado, em 2014, a gente só sabia que Zelda U seria em mundo aberto, como o primeiro jogo da série foi. Eu tava assistindo a coletiva de imprensa da Nintendo na E3 no meio da minha aula de história do cinema, quando esse trailer saiu:

Esse anúncio revelou tão pouco que a internet passou dias tentando tirar toda a informação possível: essa figura encapuzada era o Link mesmo, ou a Zelda finalmente seria a protagonista? O que é essa máquina de destruição que tá correndo atrás dele? Você viu COMO A GRAMA SE MEXE?

Enfim, Zelda U era pra ser o system-seller do Wii U, e acho que por um momento a Nintendo realmente acreditou nisso porque até deixou o Miyamoto e o Aonuma, que são designers que raramente fazem promessas sobre seus jogos antes de podermos ver eles em ação, comentarem sobre quando eles achavam que o jogo ia ficar pronto no final daquele ano:

Depois disso tudo começou a degringolar. O Wii U não foi um sucesso, e em 2015 e 2016 a Nintendo passou boa parte do tempo tentando colocar jogos na plataforma porque os desenvolvedores externos tinham debandado, mas a maior parte de seus estúdios já estavam lançando jogos muito melhores no Nintendo 3DS, que acabou virando o foco da empresa enquanto um novo videogame de mesa não ficava pronto.

E assim, Zelda U ficou de escanteio, com notícias sobre seus atrasos. Teve uma vez que foi pelo motor de física do jogo (ainda bem, porque o que apareceu no jogo final é excelente), teve outra que era teoria da conspiração, de que a Nintendo decidiu reformular o jogo para o NX (foi só uma meia verdade).

O fato é de que demorou um bocado de tempo, em termos de anúncios de jogos, pra que a gente pudesse ver Zelda U novamente. Foi só na E3 2016 que o jogo apareceu de novo. Não só isso, foi o único jogo que a Nintendo levou para a E3 naquele ano. Jornalistas puderam pôr as mãos nele pela primeira vez, e jogaram em um mapa que hoje sabemos que é o Grande Plateau, a (enorme) área inicial do jogo.

E daí a gente finalmente descobriu como o jogo ia ser chamado:

As pessoas começaram a compilar tudo o que Link conseguia fazer nesse trailer. Ele era realmente impressionante.

Breath of the Wild voltou a ser o centro das atenções pelo resto do ano ao lado da revelação do NX, que ia se chamar oficialmente Nintendo Switch. BOTW é um dos jogos exibidos no trailer que revelava o console. Pelo restante de 2016 a gente saberia que BOTW não era mais o system-seller do Wii U, e sim seu último título da Nintendo para o console. Agora ele seria o system-seller do Switch.

A pergunta é — quando?

A Nintendo programou uma coletiva de imprensa para revelar o preço, a data de lançamento e outros detalhes técnicos do Switch em janeiro de 2017. Para a surpresa de muitos, o Switch já estava quase pronto, e seria lançado em março daquele ano. A gente pôde ver pela primeira vez alguns dos jogos que iam ser lançados no primeiro ano do console: Splatoon 2, ARMS, Super Mario Odyssey, Mario Kart 8 Deluxe! Por toda a apresentação, o único jogo que ia ser lançado no mesmo dia que o videogame era o 1-2 Switch. Isso não soava certo.

É claro que não, a Nintendo tava deixando o melhor pro final:

Eu revejo esse trailer de tempos em tempos. É um dos meus trailers de jogos favoritos (tá junto com esse teaser de Halo 3), e deu o tom para o lançamento de BOTW. Não era só um Zelda com um mapa gigantesco, mas uma grande aventura por Hyrule. Todas as espécies que a gente aprendeu a amar na franquia estavam ali — os Zora, os Rito, os Gorons!! Os Gerudos!! Os Kokiri!!!!! —, a porra da Grande Árvore Deku tava de volta, caramba. A gente não sabia de nava o que estava acontecendo no trailer e, de alguma forma, isso parecia certo: BOTW era pra ser descoberto.

Ah, e no finalzinho, a Nintendo finalmente revelou que sim, Breath of the Wild ia ser o jogo de lançamento do Switch.

O resto é história.