Enclausurado é estranho pra caramba.

Nem sempre é fácil ler os livros de Ian McEwan. Seus primeiros beiravam ao sórdido, como o marcante O Jardim de Cimento. Depois, ficaram extremamente introspectivos, como Amsterdam ou, mais furiosamente, Sábado. Seu livro anterior, A Balada de Adam Henry, flertava com muita coisa, e nem sempre conseguia entregar um bom desenvolvimento pra tudo. E daí agora tem Enclausurado, que é uma loucura.

“Loucura” no sentido virtuosístico. Enclausurado é um suspense sobre uma mulher que quer, junto com seu amante e cunhado, matar o marido. Até aí, tudo bem. Mas o ponto de vista que seguimos não é nem da mulher, nem do comparsa, e nem sequer da vítima. Quem nos conta tudo isso, com graça, um pouco de desdém, muito cinismo e um tanto embriagado, é o bebê que a mulher carrega no útero. Enclausurado é o nosso narrador, que ainda nem nasceu e que está ali, sendo testemunha do plano para matar seu próprio pai.

Parece maluco, e é, mas nunca sem verossimilhança. Ian McEwan busca uma realidade, tão pungente em seus livros (por mais fantasiosos que alguns sejam), até com essa premissa estranha. O nosso narrador é tão adulto em sua fala, tão preciso em suas colocações e tão opinativo sobre tudo (ele discute de política, criminologia e vinicultura com ótimas argumentações que tem de acordo com suas experiências de feto). As vezes contraditório, as vezes deliciosamente lúdico, o narrador de Enclausurado é um dos melhores experimentos da carreira de McEwan.

Esse autor, tão preciso e tão magistral no seu estilo e sua forma, já mostrou seu humor no excelente Solar. Mas o humor negro e na beira do irreal que nos apresenta em Enclausurado, enquanto constrói um suspense muitíssimo bem elaborado com ares de O Inocente (Ou O Relacionamento Especial) e que cresce de maneira precisa e deliciosa de ler (é o livro mais page-turner dele, com certeza). Não é um novo Reparação, mas é um tipo diferente de magistral: não é o escopo ou a investida, ou a metaleitura que interessa em Enclausurado. É saber que fim vai ter nosso narrador, que mal sabe da vida mas já conta muito bem uma história.

A Chegada é uma deslumbrante ficção científica sobre nós, hoje.

Bons filmes de ficção científica são mestres em simbologia. Blade Runner questiona a nossa busca por conhecer Deus — e a decepção que isso pode nos causar; 2001: Uma Odisséia no Espaço (talvez o filme com mais simbolos na história) é sobre a relação entre o humano e suas ferramentas (entre outras coisas, mas basicamente isso). A Chegada, novo filme do premiado diretor canadense Denis Villeneuve, não é diferente.

A Chegada começa quando doze grandes naves em forma de concha (lindas, aliás) chegam na terra e ficam lá, flutuando. Em uma delas a nossa personagem principal, a linguista Louise Banks, tem o mais complicado dos desafios: aprender uma linguagem extraterrestre que não respeita nenhum conceito lógico humano, e descobrir o que eles fazem ali.

Já pegou a ideia, né? A Chegada se passa, basicamente, na câmara de uma dessas naves, em que Louise tem algumas horas ao dia para estabelecer contato, e aprender com, os alienígenas que ficam no outro lado de uma parede branca. Um filme que basicamente aponta uma câmera pra uma parede branca e consegue criar lindas imagens com isso, inclusive, já seria excelente. Mas A Chegada não se contenta só com suas belíssimas imagens ou belíssima trilha-sonora. Como toda a ficção científica, ele está ali pra refletir, naquela situação absurda, algo nosso.

A Chegada olha nem sequer para nosso estado como sociedade, olha para o espaço entre nós. Aquilo que nos faz se comunicar — o nosso impulso por aproximação, por troca de experiência. O grande mistério de A Chegada não é o que os alienígenas querem no planeta, mas descobrir como fazer essa pergunta da maneira correta. A forma como o roteiro apresenta isso, fazendo com que o espectador aprenda, junto com Louise, expressões em uma determinada ordem específica da linguagem alienígena, é magistral. É o que nós fazemos em frações de segundo no nosso cérebro em quase todas as situações da nossa vida: como formular o que eu quero dizer na melhor maneira possível para passar exatamente o que eu quero dizer, literal e figurativamente.

Denis Villeneuve, um bom diretor que anda fazendo coisas muito boas com o passar dos anos (o muito bom Sicario: Terra de Ninguém é dele), aproveita para se esbaldar. O filme desdobra uma história simples, porém muito potente, de maneira soberba. É quase fácil ignorar alguns furos que o roteiro apresenta na sua metade. Isso porque A Chegada entende um conceito primordial: a linguagem molda a percepção de nossa realidade. Todos vivemos no mesmo mundo, mas os pedaços com os quais moldamos nossa percepção sobre ele, sobre os fatos ao nosso redor, dependem não só de como formamos palavras, mas também do que elas representam. Todos os humanos sentem saudade, por exemplo, mas só a língua portuguesa tem uma palavra para expressar tal sentimento. É esse fato deslumbrante do mundo, de como percebemos ele e de como isso afeta absolutamente tudo em nossas vidas que interessa A Chegada. E por isso ele é um grande filme.

Westworld pergunta muito e raramente responde.

“O que nos faz humanos?” pergunta Westworld desde a primeira cena. O novo blockbuster HBO terminou sua primeira e conturbada temporada sendo a série mais falada do ano. E o final, que aponta um novo e empolgante caminho pro futuro, indica a jornada para sua grande questão.

Westworld, baseada no filme de 1973 escrito e dirigido por Michael Crichton, narra a história de um parque de diversões adulto que se pretende simular o cenário do faroeste, um dos grandes gêneros americanos. Diferente do filme, que tinha uma visão alarmista da tecnologia e de como ela seria capaz de nos dominar, a série busca um outro lado: quem são os andróides que populam aquele lugar; o que diferencia eles de nós, humanos; e como se dá a busca pela consciência.

Nisso, somos apresentados a Dolores, Maeve e Teddy, os três proeminentes androides do parque; e Ford, Therese e Bernard, que estão no outro lado do espelho, construindo e operando o parque. Com o decorrer da temporada, vamos ver a linha que separa os humanos dos robôs ficar cada vez mais tênue e difusa (durante o arco da série, teorias sobre quem realmente era humano ou robô atiravam pra todo o lado — uma delas acertou).

Westworld, não se engane, é um blockbuster da HBO com tudo o que tem direito: muita nudez, algum sexo, bastante sangue e esquartejamento pra lá e pra cá. Porém a série parece determinada em usar esses elementos (que parecem até assinatura do canal) de alguma forma para enriquecer a própria discussão. “Esses prazeres violentos têm fins violentos”, os robôs citam uns para os outros. Retirado de Romeu & Julieta, a frase resume a ordem que rege o parque de Westworld. Aquelas criaturas, criadas pelo humano a sua imagem e semelhança, há muito já superaram seus criadores — mas continuam sendo usados por eles para satisfazer os mais cruéis dos desejos. Falta a eles, Westworld sugere, a consciência.

A partir daí, Westworld é, justamente, a jornada para compreender a consciência — e refletir como frustrante ela é. Personagens voltam pro ponto de partida a todo o momento; são dadas muitas pistas falsas; e as respostas nem sempre são satisfatórias. Westworld as vezes usa isso ao seu favor, as vezes pesa na mão. É uma temporada conturbada que pretende responder tudo, mas que demora muito pra unir seus ciclos (quando o faz, porém, numa bela cena na praia, é fantástico), e que entende no meio do caminho que as mais difíceis perguntas ficarão sem resposta, mas que é uma jornada que vale a pena de qualquer forma.

Ao fim, Westworld mostra que, na busca pela liberdade e pela humanidade, sangue deverá ser derramado. Uma nova sociedade não convive com outra, mas a derruba. Pelo que a História indica, o sangue que Dolores derrama (ao final do melhor episódio do ano) vai ser só o início.

Dream Cave é novo e empolgante.

Eu sou apaixonado pelo Bliss Release, álbum de estreia dos australianos Cloud Control. “Islands”, “My Fear (1)”, “Gold Canary” e “There’s No Smoking In The Water” são divertidíssimas de ouvir, sempre, e embalaram uma boa parte do meu ensino médio. O melhor? Elas envelhecem muitíssimo bem.

E Dream Cave, o álbum que segue em frente na carreira da banda, é tão divertido quanto. Eu acho que é ainda mais divertido, na verdade. Com músicas como “Scar”, “Dojo Rising” e “Island Living” eles pegam aquilo de melhor que tinham levado pro álbum de estreia, e seguem em frente. Com “Moonrabbit” eles brincam com possibilidades novas, e eles não parecem muito preocupados em definir seu estilo.

Vai ver esse é o próprio estilo do Cloud Control: não tentar se encaixar no panorama australiano da música (eles não tentam ser um novo Tame Impala, mas eles não se importam de pegar elementos livremente). Mais que qualquer outra coisa, Dream Cave é empolgante — aquela música que pode não ficar na sua cabeça, que não vai animar sua balada, mas é aquele tipo de música excelente pra, no meio da janta dos amigos, animar uma discussão. Dream Cave tá aí pra ficar lá no fundo do teu cérebro, e movimentar mais teus sentimentos que teus pés. Eu convivo muito bem com ela assim.

A Vida Privada das Árvores é rápido e direto ao ponto.

“Quando Verónica voltar, o livro acaba”, o narrador nos avisa logo no primeiro capítulo. A Vida Privada das Árvores, segundo livro do chileno Alejandro Zambra, não perde tempo com aquilo que não julha necessário. Bastante justo, então, ele já estipular os limites: quando a esposa de Julián, o personagem principal, voltar pra casa, o livro vai acabar.

Com o andar da história a gente percebe que a coisa pode não funcionar exatamente assim, mas A Vida Privada das Árvores permanece fiel à honestidade e brevidade, o que é um tanto surpreendente. Zambra conta a história de como Julián e Verónica se conheceram, o relacionamento anterior de Julián, como se aproximou de Daniela — sua enteada, pra quem ele cria as histórias sobre árvores que dão título ao livro —, e por aí vai. A Vida Privada das Árvores se interessa não sobre onde as histórias começam, mas pra onde elas vão, e elas vào relativamente rápido.

É impressionante, pra falar a verdade. A Vida Privada das Árvores apresenta Julián, um escritor que terminou seu primeiro livro usando, como metáfora, um bonsai (uma referência ao primeiro livro de Zambra, Bonsai); e de seu relacionamento com Verónica, sua esposa, e Daniela, sua enteada. Julián espera Verónica voltar da aula de desenho certa noite, e é essa espera que A Vida Privada… vai retratar. Enquanto Julián conta histórias para Daniela na cabeceira da cama imagina onde está Verónica, reflete como se aproximou de Daniela, e imagina pra onde seu relacionamento com aquelas duas mulheres estaria indo. E A Vida Privada das Árvores brilha justamente assim: sendo tão específico nos sentimentos do seu personagem, contando tantas histórias, com tão poucas palavras. Quando você mal percebe, Julián se decide na espera de Verónica.

E daí o narrador erra.

As coisas são calmas em Neighbor

Parece que qualquer coisa pode acontecer.

Sou supeito pra falar dos jogos da Cardboard Computer. O trio, composto por Jake Elliot, Tamas Kemenczy e Ben Babbit, é responsável por jogos fantásticos, como o lindo A House in California e magnífico Kentucky Route Zero. Seu primeiro jogo para celulares, Neighbor, não poderia ser menos fascinante.

Neighbor é estranho: é quase um simulador de vida, como Animal Crossing, e um jogo experimental, como Mountain. Quer uma descrição exata de como Neighbor parece? Deixo pros próprios criadores:

Toalhas limpas estão embaixo do banco. O transmogrifador funciona melhor se você não olhar diretamente pra ele. Você pode encontrar instrospecção no seu reflexo da piscina. Sam dará uma passada periodicamente.

Estranho mas familiar, certo? A Cardboard Computer é mestra nesse sentimento. Ao mesclar a realidade com o fantástico em Kentucky Route Zero, eles conseguem esse mesmo efeito. Em Neighbour, porém, esse sentimento vem através de outra percepção. É um jogo onde você guia um andarilho sem nome nem rosto por uma cratera no meio do deserto. Ela serve como sua casa. Como nos simuladores de vida, você tem uma série de itens para interagir e realizar ações, mas não é nada que você tenha visto antes: escreva poemas na mesa, construa uma boneca, leia revistas sobre caminhoneiros (Sam gosta dessas revistas), medite perto da piscina, ofereça algo a alguém. Familiar, mas estranho.

Neighbor é um exercício de paciência. Ele não é lento, mas ele é indecifrável. É um mistério e, como todos os bons mistérios, ele nos guia não para a conclusão, mas para mais perguntas. Algumas ações, inclusive, indicam isso claramente: “pensar na vida” e “pensar onde você está” são atualmente ações no jogo. Quando Sam chega, você ouve um assovio. Ele gosta de poemas sobre a natureza, então você pode escrever um pra ele, se quiser. Nada é muito claro, e eu acho que a Cardboard Computer nem quer ser. O que é bom: em um jogo onde há tão pouco a fazer, é incrível como eles conseguem dar a impressão de que qualquer coisa pode acontecer.

Upstream Color não sai da minha cabeça.

Eu sou uma das seis pessoas no planeta que não gosta de Primer, o primeiro longa-metragem do diretor Shane Carruth. Pode falar que é porque eu não entendi, não tem problema, eu realmente posso não ter entendido; mas eu também não me senti apaixonado pela história pra fazer como os fãs e diagramar as linhas do tempo para tentar decodificar o que, afinal, tava acontecendo por lá.

E parece que a história ia se repetir quando eu assisti Upstream Color pela primeira vez. Eu não detestei, mas eu achei um saco. O problema, porém, foi depois. Desde 2013, quando eu vi ele pela primeira vez, Upstream Color não saiu da minha cabeça. Daí, em dezembro do ano passado, eu decidi dar uma chance pra ele de novo.

Upstream Color é uma ficção científica, mas também uma história de amor: Kris, que é drogada e infectada por um ser misterioso e acaba sendo roubada por um Ladrão; e Jeff, um corretor que também é infectado por esse ser. A partir daí, eles se encontram e tentam decifrar o que aconteceu com eles, e essa busca é uma jornada emocionante por um intrincado labirinto que Carruth criou para seus personagens, e os guia com precisão e fascínio.

Carruth é conhecido por ser um diretor aburdamente intelectual (ele era um engenheiro de sistemas antes de partir pro cinema), e em Upstream Color ele dirige, escreve, estrela, co-produz, monta, e compõe. Sua inteligência e mistério está na tela: padrões de cores sobrenaturais e enigmas enchem a história de Kris e Jeff. Mas Upstream Color é, mais ainda, uma história afetuosa sobre perda, busca e redescoberta — e como não podemos encarar essa jornada sozinhos.

O que mais esperamos em 2017

Olá, e boas vindas a 2017! Se tá lendo isso, é porque tu provavelmente está no futuro. Como foi a virada de ano? Alguma tragédia nesses quatro dias de diferença? 2017 já é melhor que 2016? Esperamos que sim.

De qualquer forma, estamos aqui. Ainda bem! O PCM volta em 2017 com uma nova abordagem, mais condizente com aquilo que vimos ano passado através das nossas estatísticas. Parece sério? Nem é tanto assim. A gente percebeu em 2016 que o nosso site é mais acessado de manhã, e quando eu falo “manhã” é, na verdade, cedo da manhã. Nosso pico de acesso geralmente se concentra às 9h, o que dá pra entender: é quando nossos leitores chegam no trabalho ou estão matando ~aquela~ aulinha (ei, isso aqui é uma zona livre de julgamentos).

O PCM esse ano vai funcionar a partir do que observamos. Nossos posts irão pro ar de segunda a sexta às 8h. As dicas vão ser menores, porque a gente sabe que o tempo de chegar no trabalho e tomar aquele café antes de começar a rotina diminuiu. Então de segunda a quinta você terá uma dica breve e na sexta um postzinho maior, que chamamos de Exposição, onde podemos entrar mais a fundo na dica do dia.

Lembrando que a gente continua aceitando sugestões, podem nos enviar lá pelo Twitter ou por email. A gente vai adorar.

Então, pra começar o ano, vamos ver o que a gente tá mais empolgado pra ver, ouvir, jogar ou ler em 2017? Por favor, nos acompanhe nessa verdadeira lista de hype.

5. Pra ver nos cinemas: Alien: Covenant.

Alien, O Oitavo passageiro, o de 1979, é um dos meus filmes favoritos. Caramba, como eu amo aquele filme. É a mistura perfeita do terror com a ficção científica e tem a Sigourney Weaver como a Ripley, uma das minhas personagens favoritas do cinema.

Todos os outros Alien são piores, sem exceção (e eu nem tô falando daqueles spin-offs Alien vs. Predador), mas todos carregam algo especial daquele primeiro Alien, que muito provavelmente é aquele alien, e a sede insaciável que tanto a criatura quanto Ripley tem de acabar uma com a outra. É fascinante. Ao julgar pelo primeiro trailer de Alien: Covenant, a gente percebe que não vai ter a Ripley (o filme é uma continuação de Prometheus, o prelúdio de Alien), mas que Ridley Scott vai voltar pro horror.

Voltar pro horror talvez seja a melhor coisa que Alien: Covenant poderia fazer, aliás. Os melhores momentos de Prometheus (que é lindo, mas meh) é quando o pânico se instaura naquele planeta, e Ridley Scott sabe brincar com o pânico. A gente quer muito ver Alien: Covenant. Se o filme ficar ruim (ei, tem chances), ao menos a gente vai poder ver os fan services que tem no trailer na tela grande. Ver o xenomorfo surgir da espinha de um cara sempre vai ser interessante, que venha logo 18 de maio.


4. Pra ler: Peanuts Completo, vol. 9.

Capa de Peanuts Completo: Volume 9

A L&PM tá lançando os volumes de Peanuts Completo sem pressa nenhuma. Dos vinte e cinco, só oito foram publicados por aqui até hoje (a coleção terminou em 2015 nos EUA). Ou um por ano, ou um a cada dois anos.

Seja como for, Peanuts Completo é um conjunto da obra. Não só o conteúdo é incrível (os anos 60 são o início do ápice da turma do Charlie Brown), mas o tratamento é impecável. A L&PM traz Peanuts Completo com a mesma qualidade que ele foi publicado lá fora: capa dura, conteúdos especiais (todos os volumes têm um prefácio com um autor convidado e um posfácio) e o formato original. A cada página, três tiras no seu tamanho de publicação. Eu mal posso esperar pra pôr minhas mãos no próximo volume.


3. Pra ouvir: o novo álbum do The xx.

O The xx trabalha devagar, e eu não tenho nenhum problema com isso. Com um debut excelente com xx e um retorno com Coexist, o The xx não só já mostrou seu estilo como também se mostrou capaz de explorá-lo. E, pelo que a gente pode perceber com “On Hold” (acima), eles estão prontos pra seguir em frente.

Não temos previsão pra quando o novo do trio vai chegar, mas o The xx diz que será “em breve”. Seja como for, os dias de desespero deles (xx) e de medo (Coexist) mudaram. Como parecem indicar com “On Hold”, o The xx parece tentar deixar-se levar, porque o destino não é nada mais que uma desilusão. Pode soar melancólico e um pouco pessimista, mas depois de um ano como 2016, o terceiro álbum do The xx parece ser aquilo que precisamos pra nos abraçar, acalmar e nos empurrar pra frente.


2. Pra jogar: The Legend of Zelda: Breath of the Wild.

Não só a maior fila da história da E3, superando o antigo detentor da façanha (o Wii, também da Nintendo, em 2006), The Legend of Zelda: Breath of the Wild é o jogo mais esperado do ano: o primeiro — e, provavelmente, último — jogo da série para Wii U, e o jogo de abertura pro novo Switch; uma aventura Zelda inédita em seis anos; e tá tudo absurdamente lindo.

Depois de décadas sendo (inclusive ainda é) parâmetro de cópias para qualquer jogo de ação-aventura por aí, The Legend of Zelda finalmente se dispôs a olhar pra concorrência. Com Breath of the Wind, a Nintendo busca a inspiração nos grandiosos The Elder Scrolls e The Witcher 3: Wild Hunt para trazer Hyrule, o reino de Zelda, em toda a sua glória em um imenso mundo aberto. Aonuma, o designer do jogo, diz que a narrativa desse novo capítulo será muito como o dos jogos antigos da série: um conto de destruição e ruína, e de rendição. O que muda: dessa vez, as missões são feitas na ordem que o jogador quer — e ele pode terminar a narrativa do jogo sem sequer visitar sessões do mapa. Vendo a grandiosidade do lugar, eu não duvido que eu não visite alguns lugares por ali.


1. Pra ver na TV: The Leftovers, terceira temporada.

Com o blockbuster Westworld finalmente lançando esse ano, e com Game of Thrones atrasando pro segundo semestre de 2017, a HBO deu um ano sabático para The Leftovers, simplesmente o melhor de 2015 pelo :bread:. A gente mal consegue esperar.

Estreando em abril, a terceira e última temporada de The Leftovers levará a família Garvey para a Austrália. É só o que a gente sabe por enquanto. Se você acompanhou a série até aqui, porém, sabe que 1. quanto menos a gente sabe, melhor; e 2. não é uma série que vá nos dar muitas respostas. O que é bom. O grande acerto de The Leftovers é, como toda a grande história, não fazer o espectador procurar por respostas, mas por fazer mais perguntas. Se The Leftovers conseguir continuar fazendo isso com a beleza e a catarse que ele conseguiu semanalmente em 2015, eu tenho certeza que terei uma nova série pra chamar de favorita.