Tá na hora de ver Crazy Ex-Girlfriend.

O vídeo acima é, basicamente, o motivo que deveria fazer qualquer um assistir Crazy Ex-Girlfriend, a melhor comédia no ar hoje.

Sério, que série excelente. É um musical sobre uma mulher que alcançou o topo da carreira em Nova York — mas que é infeliz. O que ela faz, então, é se mudar pro outro lado do país e começar num lugar novo onde, por “mera coincidência”, onde um ex-namorado dela vive.

Parece muito o plot de uma comédia romântica onde uma mulher de sucesso deixa tudo pra trás pra correr atrás de um homem e descobre que a vida é muito mais que isso: tem um outro cara legal nessa cidade que ela se apaixona e eles ficam juntos no final. E Crazy Ex-Girlfriend até parece que vai fazer isso. Daí chega a cena do vídeo ali em cima, e a partir daí a série se transforma.

Não quero estragar a surpresa. Crazy Ex-Girlfriend é incrível pelo que ela consegue fazer quando tu menos espera. Mas se prepare: é uma série absurdamente inteligente e divertida, que te faz rir tanto de bobagens quanto das péssimas escolhas que os personagens tomam as vezes (e você, já tendo feito algumas dessas, sabe muito bem no que vai dar). Mas Crazy Ex-Girlfriend é uma linda série sobre a busca da felicidade, e como a gente machuca as pessoas pra alcançar ela — e com números musicais inspiradíssimos!

A mágica do cinema tá todinha em La La Land – Cantando Estações

La La Land – Cantando Estações começa já dizendo a que veio: em uma primeira, imensa e muitíssima bem coreografada cena, um engarrafamento se torna palco de um número musical. Ele nem esconde, é um musical e os números pipocam. Cada um mais impressionante que o outro. Fazia tempo que eu não via coisa assim no cinema.

É incrível, mesmo, e vale muito a pena ver. La La Land pega um gênero que tá cada vez mais morimbundo e traz alegria, energia e nos lembra porque o musical é, sim, um grande gênero do cinema. Com toda a teatralidade que ele traz as telas, é impressionante como esse filme brinca com enquadramento, movimento e luz com tanta “leveza”. A imagem corre como Emma Stone e Ryan Gosling, e é tão bom correr atrás dela também.

É um filme de comédia, também, mas um bem melancólico. Conta a história de Mia, uma aspirante a atriz que faz um monte de teste de elenco sem nunca receber um retorno; e de Sebastian, um jazzista que quer abrir um clube de jazz mas se prende as amarras de um jazz que está deixando de existir. La La Land é, antes de qualquer coisa, um filme sobre o peso do sucesso, e como esse sucesso é basicamente um bando de sacrifícios, decepções e vergonhas que acabam sendo esquecidas nos momentos em que tu está em cima de um palco, representando.

E dói ver? Dói, mas La La Land vai mostrar isso com tanta empolgação, visitando um pouco de cada canto da história do gênero (e de filmes que alguma vez já se basearam nele) ao mesmo tempo que faz tudo com uma modernidade que o Chazelle, esse diretor novo mas talentosíssimo, fez com Whiplash – Em Busca da Perfeição.

A câmera mergulha, os dançarinos voam, o trânsito vira música (em uma deliciosa sequência que lembra Los Angeles Plays Itself) e uma belíssima homenagem ao cinema acontece. Mas, no final de tanto malabarismo e reverência, La La Land usa o mais básico artifício da linguagem cinematográfica: Mia e Sebastian se olham através de um salão cheio. Há um mundo todo ali entre eles, feitos de sonhos que existem só pros dois. Não é o suficiente, mas é mágico como poucos filmes são.

Insecure segue a onda de comédias que mais parecem dramas.

As melhores séries dos últimos anos na HBO são sobre nada. Elas também não acontecem no primetime e têm 50 minutos por episódio. Elas normalmente vêm depois dos blockbusters, tem vinte e tantos minutos e são propagandeadas como comédias. Elas até podem ser engraçadas, mas elas são dolorosamente reais.

Quando Looking foi cancelada ano retrasado, parecia que a HBO estava cancelando de vez essa abordagem (Togetherness, também excelente, também foi cancelada pela mesma época). Mas daí em 2016 veio Insecure, talvez a melhor entre essas três séries.

Insecure segue Issa, uma mulher no final dos seus 20 sem muitos planos ou expectativas. Ela tem vontades do que fazer, mas não tem vontade de pôr em prática. Sim, parece bastante com Looking, mas Insecure não é sobre gays em São Francisco, é sobre duas amigas negras, Issa e Molly, que estão insatisfeitas sobre onde a vida delas está indo. No limite pros 30, a insatisfação delas vira uma ânsia.

Falando assim até parece que tem uma trama, mas Insecure parece deliciosamente uma série sobre nada, onde o que realmente importa é o que seus personagens sentem e como eles reagem ao que tá acontecendo ao redor. Era a melhor parte de Looking e, graças a Issa Rae e Yvonne Orji — que estão excelentes como Issa e Molly —, também é a melhor parte de Insecure. Molly tenta encontrar um cara legal, mas todos andam sendo escrotos. Issa tá com medo de seguir sua vida com seu namorado Lawrence, que parece não ter um rumo nem um interesse de ter um rumo. E, assim, a série segue, com elas tomando decisões e absorvendo como Los Angeles enxerga elas (Issa e Molly, por exemplo, são as únicas mulheres negras em seus escritórios, e a forma como seus colegas encaram isso é vista com humor pela série, mas também com uma língua afiada).

Mas sabe no que Insecure arrasa durante esses oito episódios nessa temporada: em apresentar, e desconstruir, suas personagens principais. É a história de duas amigas que percebem que são egoístas, e como dói ser egoista. Issa e Molly tentam se transformar naquilo que querem ser, mas como dói quando elas precisam contar a verdade uma para a outra, mas principalmente o quanto dói ouvir essa verdade vindo de uma pessoa tão imperfeita quanto você. Issa e Molly compartilham uma das amizades mais realistas da TV hoje, e por isso sabem trazer a alegria desse relacionamento como poucos. Mas também sabem se destruir como ninguém.

Os cinco melhores jogos do Nintendo 3DS.

Semana passada a Nintendo finalmente abriu o bico em relação ao seu novo videogame, o Switch: um híbrido entre console de mesa e portátil, que vai lançar com o novo (e que eu quero muito) The Legend of Zelda: Breath of the Wind.

O Switch não é um portátil Nintendo — a empresa especifica que é um videogame de mesa, antes de tudo —, mas é impossível prever se o 3DS continuará nos planos da Nintendo (ela diz que sim) depois do lançamento do videogame que sucede o maior fracasso da empresa na história.

Então, talvez pra nos despedirmos ou talvez como homenagem, decidimos fazer um ranking com os cinco melhores jogos do 3DS. Como todo o portátil da Nintendo, o 3DS sempre foi repleto de jogos estranhos — os portáreis ainda são os queridinhos do Japão. O DS e o 3DS, também, foram as plataformas que os desenvolvedores acabaram se dedicando em relação a Nintendo, quando a maioria deus às costas pro Wii e Wii U com o passar dos anos. Também, é difícil de disputar com uma empresa que desenvolva tão bem quanto a Nintendo, tem isso.

Assim, os cinco melhores jogos do 3DS são da Nintendo. Longe de mim dizer que só os jogos dela são bons, a biblioteca de jogos do portátil é extensa, e eu não joguei tudo. Por isso, esse top 5 tem apenas dois critérios: eu precise iter jogado o jogo até o final (quando aplicado) e ele não pode ser um remake (embora eu, sinceramente, ache que Ocarina of Time e Majora’s Mask tenham suas versões definitivas aqui).

Enfim, antes de começarmos, vale considerar a quantidade de jogo bom do 3DS. Não entraram no top 10, e continuam sendo excelentes: Super Smash Bros. for Nintendo 3DS, Professor Layton and the Azran Legacy, Monster Hunter 4, BoxboxBoy!, Braverly Seconds, Shovel Knight e Luigi Mansion’s 2. E, já que todo mundo se perguntou, a primeira parte do top 10 é essa:

10 - Scribblenauts Unlimited, o melhor jogo da série na plataforma perfeita pra ele.

9 - Fire Emblem Fates, não é o melhor Fire Emblem do 3DS, mas a audácia e a capacidade de contar uma história em três narrativas é fascinante e funciona muito bem.

8 - Professor Layton and the Miracle Mask, eu amo Professor Layton e vou defendê-lo.

7 - Pokémon X/Y, o melhor Pokémon desde Pokémon Diamond/Pearl, X/Y entra de vez no 3D, e finalmente decide conectar os monstrinhos ao jogador.

6 - Bravely Default, mostrando que, não importa o percalço, a Square ainda é a rainha do RPG japonês.

E vamos começar:


Imagem do jogo Mario Kart 7

5. Mario Kart 7.

Quando lançou, em 2011, Mario Kart 7 foi automaticamente clamado como o melhor Mario Kart já feito (depois veio o Mario Kart 8 pro Wii U que trouxe o Luigi Death Stare, então obviamente…). Não é pra menos: Mario Kart 7 traz toda a criatividade da EAD Group (com a ajuda da Retro) em pistas maravilhosas e com um senso de velocidade que a série ainda não havia experimentado antes. Pode ter envelhecido mal depois de Mario Kart 8, mas considerando que a sequência basicamente levou as inovações que esse aqui trouxe a outros patamares — depois de 7 limpar a mecânica que Double Dash e Wii encheram ela de complexidade desnecessária — é mais uma prova de como Mario Kart 7 é revitalizante pra uma franquia tão copiada.


Imagem do jogo Fire Emblem: Awakening

4. Fire Emblem: Awakening.

Fire Emblem, a série de estratégia tática de guerra da Intelligent Systems, sempre retratou a brutalidade das decisões que são necessárias de se tomar durante a guerra. Com Awakening, o melhor jogo da série, Fire Emblem leva as decisões a outro patamar com um elenco gigantesco de personagens altamente envolventes, ao mesmo tempo que revitaliza uma fórmula já consagrada com benvindas novidades que, ao mesmo tempo que homenageia todo o legado da série, dá uma visão excitante de como será o futuro de Fire Emblem (e Fates comprovou as promessas). Awakening pode ser brutal, mas é profundamente emocionante e, como a guerra, devastador.


Imagem do jogo The Legend of Zelda: A Link Between Worlds

Continuar A Link to the Past, um dos Zelda favoritos de todos os tempos (não pra mim, sou um tiete de Ocarina of Time e Skyward Sword, mas entendo o amor), era uma tarefa no mínimo arriscada. Se inspirar no top-down que a série foi rápida em abandonar, também. The Legend of Zelda: A Link Between Worlds não tinha (como nenhum Zelda, inclusive) um legado fácil de bater, mas olha só.

A sofisticação do design que a Nintendo emprega em suas duas maiores séries é sem precedente nos jogos. A Link Between Worlds é um exemplo perfeito: acessível para novos jogadores e incrivelmente complexo para os mais experientes, esse novo Zelda não é só o melhor jogo da série para um videogame portátil, mas também mostra uma coragem em inovar e brincar com os mecanismos que Zelda trouxe pela sua história de maneiras muito mais interessantes do que em qualquer capítulo nesses trinta anos. A Link Between Worlds vive numa tela pequena mas é sem dúvidas um grande The Legend of Zelda, digno de seu legado.


Imagem do jogo Super Mario 3D Land

2. Super Mario 3D Land.

Claro. Toda plataforma da Nintendo é casa de ao menos um grande jogo do Super Mario, a maior franquia dos jogos. E esse jogo, em troca, utiliza todos os recursos que o videogame tem à disposição do jogador. Com o 3DS oferecendo giroscópio e, bem, 3D, a EAD Group 1 tinha algumas novidades pra mostrar.

E Super Mario 3D Land não decepciona. Mostrando que a Nintendo ainda é a rainha dos jogos em plataforma, esse jogo explora todas as possibilidades do (na época novo) videogame da empresa. Super Mario é sempre uma vitrine pras plataformas, mas antes disso sempre é um grande jogo. Em 3D Land a equipe do EAD Group 1 parece ter criado muito mais um baú de brinquedos e, em cada mundo, brinca com alguns deles. Pode não ter a coesão temática de Super Mario 64 ou Super Mario Galaxy, mas talvez esse seja justamente o trunfo desse que é um dos Marios mais divertidos: tentar brincar com tudo que pode. Só um mestre conseguiria, e sem dúvidas Super Mario 3D Land conseguiu.


Imagem do jogo Animal Crossing: New Leaf

1. Animal Crossing: New Leaf.

Eu sou suspeito pra falar de Animal Crossing: New Leaf, tanto que já escrevi um post sobre meu amor por ele. Comprar New Leaf representa ou a) a melhor escolha que você vai fazer na sua vida; ou b) a pior. Eu juro pra mim mesmo que é a primeira opção.

Animal Crossing: New Leaf é o primor dos jogos portáteis da Nintendo, e que justifica a existência de videogames portáteis. É uma experiência rica e recompensadora, que usa os sistemas de um videogame portátil muito bem — é, inclusive, a casa ideal da série Animal Crossing, que parece fora do lugar em videogames como o Wii. No 3DS, Animal Crossing brilha como um jogo completo como pouquíssimos nessa geração conseguiram ser. Eu o jogo há quatro anos e ainda assim tem coisas pra eu descobrir, como todo o bom jogo que vive com você. Eu jogo ele todas as manhãs, as vezes na tardinha, e eu nunca me arrependo (eu acho? É muito carinho, mesmo, pra me arrepender agora).

Por qual outro motivo eu me preocuparia com o que Bernard, meu vizinho cachorro, quer vestir. Eu já passei madrugadas coletando besouros pro meu Museu. Eu já planejei como seriam as obras públicas para que todos os meus vizinhos ficassem satisfeitos. Animal Crossing: New Leaf requer a tua atenção sempre que tu pode dar (ainda bem que não é um jogo intrusivo, ou eu ia me irritar pra caramba), e o mais importante: ele requer teu carinho. Pra um jogo que eu jogo há tanto tempo, eu fico sempre impressionado o quão ele é vivo e recompensador, depois de todo esse tempo. O meu maior medo quando o Switch lançar é o que vai acontecer com meus vizinhos. Eu não vou poder deixar eles pra trás.

I See You segue em frente com The xx no seu melhor álbum até aqui.

Eu não concordo com as opiniões das pessoas que entendem mais de música do que eu de que uma banda precisa sempre seguir em frente ou se reinventar num novo disco. Eu olho pra Random Access Memories, que é um Discovery levado à perfeição, e acho que seguir em frente às vezes já é o suficiente.

Então, é claro, eu levei aquele susto quando “Dangerous” começou. Dá pra perceber que é o The xx que eu conheço de Coexist e xx, mas tá diferente. O que é essa batida? Esse vocal tá mais “duro”? Eles pararam de tirar as coisas de suas músicas, essa é a impressão, e decidiram colocar um pouco dos três ali.

Esse é o grande acerto de I See You. Ele incorpora o grande talento que Jamie xx mostrou em seu In Colour com a personalidade que o The xx havia mostrado antes: um som de limites, que conhece até onde pode chegar, e busca sempre alcançar novos degraus nesse ambiente que eles criam. Se em Coexist parecia que eles lapidavam ainda mais o excelente xx, em I See You parece que eles tentaram, juntos, enxergar o que fazem tão bem separados, e aplicar juntos em seu projeto conjunto.

É o que torna The xx único. Seus álbuns, por mais diferentes que xx e I See You pareçam agora, tem um senso de polidez, de perfeccionismo em cada canto (o material gráfico de xx era lindo). Se soa diferente, é a intimidade e a vulnerabilidade percorrem todos os três álbuns. E justamente a intimidade que os três integrantes da banda conseguem entregar que exibe a força deles. Visto quanto xx influenciou nesses últimos anos, eu não duvido que I See You não vá ser diferente.

Não tem alma, mas A Criada é um dos melhores filmes do ano.

“Caramba”, eu pensava direto. “Eu não acredito”. Eu fiquei assim pelo que, um terço do filme? A Criada me deixava de queixo caído direto.

Considerando que o filme não esconde violência e sexo com nenhum pudor (inclusive gosta de misturar os dois), é incrível que não sejam as imagens que me embasbacaram em A Criada, e sim a história. Quando eu cheguei na metade, e o filme já tinha me surpreendido me mostrando até onde ele estava disposto a me levar, ele simplesmente salta pra uma outra coisa — e me leva junto.

Filmes assim geralmente não me agradam muito. O que eu gosto de ver no cinema (e, basicamente, em qualquer história) são os personagens. Eu gosto de acompanhar esses personagens, de viver aquela jornada com eles. A Criada tá muito mais interessado na tragetória em si, e não se importa muito com os personagens. É um elenco grande, e que pouco a pouco vão sendo deixados de lado enquanto a história segue em frente.

Mas que história. A Criada se passa na Coréia nos anos 1930. Lá, um vigarista contrata uma ladra para ser a criada de uma jovem e misteriosa herdeira de uma farta herança com os planos de fazer a herdeira se apaixonar pelo homem e, assim, roubarem a herança dela. Os planos começam a dar errado quando a mulher se apaixona pela sua nova criada. E aí o escambau.

A Criada perde a “alma”, digamos assim, porque não me faz me preocupar muito com o futuro das pessoas que o filme acompanha. Ele se preocupa muito mais, e me fez me interessar muito mais, onde aquela intricada história ia desembocar. Os irmãos Coen, diretores de filmes como Fargo: Uma Comédia de Erros e Onde Os Fracos Não Têm Vez, conseguem dosar muito o seu cuidado com os personagens e as suas histórias, que geralmente desembocam em tramas onde os erros das pessoas se transformam em verdadeiros castigos. Chan-wook Park só consegue alcançar isso com a personagem principal (a criada do título), mas quando sua história é tão maravilhosa e deslumbrante quanto esse filme aqui, tá tudo bem. Em um filme lindo, em que o diretor nos pega pela mão corre, pula e se diverte tanto na montanha-russa de sensações que um filme desses proporciona, meu único porém é que eu não queria que ele acabasse.

Eu não queria sair da ilha de Dear Esther.

Eu me apaixonei por Dear Esther logo depois do fade in. A gente está numa marina abandonada, e uma voz começa a ler uma carta. Você anda.

Dear Esther é um jogo em primeira-pessoa que se inspira nas cartas e na literatura que se formou ao redor das Ilhas Hébridas, no oeste da Escócia. Famosas por suas grandes e vazias paisagens, povoada geralmente por focas nas suas praias.

O selvagem inóspito das Ilhas Hébridas, que formam um espírito de melancolia e vastidão, não são algo novo. A literatura gaélica, focada na exploração de algumas das ilhas do arquipélago e a criação de mitos preenchem a história das Hébridas. Dear Esther não tem medo de começar por aí: em formato de cartas lembrando e recontando acontecimentos antes e depois de uma viagem definitiva, o autor desconhecido fala de sua amada, da saudade que sente por ela e dos pensamentos conflitantes que têm enquanto vaga as trilhas.

Enquanto isso, o jogador anda pela Ilha, um ambiente lindo e desolado. Há ruínas de casas, de um farol e de algumas construções. Há uma linda caverna, há um prado belíssimo. É tudo absurdamente lindo, mas Dear Esther fica na memória, depois das poucas horas de jogo, porque seja lá quem escreveu aquelas cartas estava desesperado.

Vendo a beleza e o isolamento daquela Ilha, dá pra saber o porquê. É uma beleza sufocante.

Leia Brasileiros. É um pedido e uma dica.

(Tá aí uma dica que foi difícil de encontrar uma imagem pra ilustrar).

O Giovanni Arceno teve uma ideia fantástica: criar uma newsletter onde, de segunda a sexta, ele manda um trecho de literatura brasileira.

É basicamente essa a dica de hoje, mesmo. Não tem muito o que eu falar, né? O Leia Brasileiros é basicamente isso, e é justamente isso que faz ele especial. Todo o dia, lá pela manhã, eu recebo um trecho de algum livro de autor brasileiro. Tem de tudo: poema, conto, romance. O Arceno ainda solta alguns comentários no final do trecho, que é sempre uma graça de ler.

Coisinha pouca, mas que me incentivou muito a ler ano passado. O site do projeto é direto na necessidade: o brasileiro lê, em média, dois livros por ano. Isso é muito pouco, claro, então imagina o quanto disso é de autor brasileiro? Antes de assinar, pra ser bem sincero, eu lia muito pouco também. Pior, eu não explorava. Fora os nossos “grandes clássicos” e um pouco de Daniel Galera, eu nunca parei pra ir explorar mais autores, mais gêneros e estilos literários que a galera escreve por aqui. Ainda bem que eu assinei o Leia: nos últimos dois meses do ano eu li quatro livros brasileiros (um do Galera, Meia-noite e vinte, que vai virar post aqui semana que vem). Mas eu descobri Quarto de Despejo, que é fantástico; O Homem que Calculava, que me faz sentir saudade da faculdade de estatística; e Turismo para Cegos, que se transformou em um dos meus livros favoritos. Coisa mais boa de ler. E eu quero ler muito mais.