Os 10 melhores de 2014

Agora que já revelamos nossos favoritos, vamos numerá-los, certo? Para finalizar essa leva de retrospectiva de 2014, nós juntamos tudo o que houve de melhor nos últimos 12 meses e os ordenamos para vocês. Siga abaixo com:

10. The Comeback volta tão bom quanto nos deixou (e talvez melhor)

A empreitada de Lisa Kudrow na sátira da HBO sobre a estrutura da TV voltou, depois de ser cancelada na sua primeira temporada. The Comeback, agora uma sátira sobre o próprio canal, o star system que se criou ao redor das séries de TV, e do mockumentary, retornou tão bom quanto era — ou, muito provavelmente, bem melhor do que era. Kudrow não confirma, mas há rumores que a série continue conosco por mais um ano. Que The Comeback volte mais um, dois, três, dez anos com seu humor único, que nos faz relembrar de clássicos como 30 Rock, Studio 60 e, claro, ela mesma.

9. Dragon Age: Inquisition é o grande AAA desse ano

Se os jogos não tiveram um bom ano (seja em lançamentos, seja em toda a polêmica do GamerGate), não podemos negar que não houve aqueles bons destaques. Com o fracasso de Watch Dogs em nos entregar aquilo que prometeu, e grandes lançamentos fadados a fracassos de infraestrutura, como Assassin’s Creed UnityDragon Age: Inquisition se revelou o grande lançamento de 2014 para os jogos. Um RPG imenso, inebriante e com a qualidade de história que apenas a BioWare consegue entregar. Não é o melhor jogo do mundo, está recheado de falhas, mas te prenderá em um universo fascinante por centenas de horas.

8. Amantes Eternos, o melhor filme que ninguém viu

O novo filme de Jim Jarmusch é um dos melhores filmes do ano. A história de Adam e Eve, um casal de vampiros com centenas de anos e que assistem a humanidade de hoje com um olhar cético, depois de presenciar maravilhas (e horrores) em outras eras, é narrada com melancolia, dissonâncias e beleza. Se os vampiros no cinema há muito perderam sua identidade, Amantes Eternos devolve-lhes a dignidade com um filme à altura de seus mitos, e transforma Adam e, principalmente, Eve em seres eternos nas telas.

7. A Balada de Adam Henry é um retorno ao método curto

Depois de grandes romances aclamados, como SolarSerena, Ian McEwan retorna às histórias menores, mas não menos empolgantes, com A Balada de Adam Henry, sobre uma juíza que se relaciona com réu. Com toda a destreza nos detalhes típicos do autor, A Balada… mostra um vigor que McEwan não apresentava desde sua estréia, com O Jardim de Cimento, mas empregando toda a magia de seus últimos romances (SábadoAmor sem fim, inclusive, se conectam lindamente com este último), o novo livro do britânico talvez seja uma das melhores peças narrativas literárias de 2014.

6. True Detective é a grande estréia televisiva de 2014

A HBO retorna à forma que a consagrou com A Sete PalmosFamília SopranoA Escuta com o surpreendente True Detective, em uma pequena temporada (antes pretendida como minissérie) intensa e completa. Embora muito de sua fama acabe indo para os mirabolantes planos sequência dos episódios, True Detective maestra para além, conseguindo trazer de volta grandes histórias para o canal, que há muito precisava se sustentar com a alarmante The Newsroom e seus acertos menores, GirlsLooking. E por falar em Looking

5. Looking surpreende com a melhor temporada de 2014

Estreando em janeiro, a temporada inicial de Looking prometia “algo real”. Nas mãos do incrível realizador Andrew Haigh, ela entregou mais. Ela entregou “algo de verdade”. E há diferenças nessas duas chamadas. Looking, por mais de nicho que seja, é uma série que finalmente consegue trazer honestidade nos diálogos e na estética de sua temporada. Em um ano que Mad Men começa o seu fim, Girls derrapa, American Horror Story pisa na bola (de novo), House of Cards perde o fôlego e True Detective vem para balançar, Looking é uma sólida, intensa e honesta história de seres humanos — seres em extinção nas séries de TV.

4. Crush Songs supera superproduções com sua intimidade

Karen O ganhou o mundo em 2013 com The Moon Song. Seguindo uma vertente semelhante, mas ainda mais íntima, Crush Songs embala recordações e exasperações de um relacionamento com uma honestidade  única nos lançamentos de 2014. Assemelhando-se em momentos com For Emma, Forever Ago, mas ainda mais sincero que este, a vocalista do Yeah Yeah Yeahs consegue superar em qualidade obras maiores, mais poderosas e mais abrangentes — incluindo aí o grande álbum do ano, o autoentitulado Beyoncé.

3. 1001 pessoas que conheci antes do fim do mundo é um sopro de vida na blogosfera brasileira

O blog da Aline Vieira traz humor honesto, histórias bem contadas e uma delicadeza visual há muito escondidas na blogosfera brasileira — terra de memes e YouPixes. Com prazer, 1001 pessoas talvez seja o site com os melhores textos que tive o prazer de ler em 2014. E só de saber que ainda temos mais de 900 pessoas pra conhecer com Aline pela frente, dá expectativa e animação ao já fiel leitor.

2. Boyhood é o grande filme de 2014 — e talvez de toda uma geração

Com sua poesia visual baseada nos pequenos e eternos momentos da vida, Boyhood traça uma narrativa simples, não universal, mas sempre honesta sobre um jovem e sua família no Texas. Repleto dos vários tipos de amor que uma vida possa entregar, dos momentos e das incertezas que a juventude nos lança, dos amigos que vem e que vão, dos mestres que nos moldam e nos largam ao vento, Boyhood é certamente o melhor filme de 2014. E talvez seja o coming-of-age definitivo de toda uma geração. De toda uma universalidade.

1. Kentucky Route Zero: Act III toma o palco central em seu teátrico terceiro ato

Depois de EquusPerception of Space, o terceiro ato de Kentucky Route Zero agora busca em Esperando Godot suas referências. Agora, mais que nunca, Kentucky Route Zero assume sua teatralidade e leva o jogador para o meio do palco e dá a ele, na pele, o sentimento de Conway. Com uma potência nunca antes vista em um videogame, a narrativa do jogo da Cardboard Computer agora torna-se não um outsider da indústria dos jogos, e sim uma referência central. Depois do terceiro ato, em que o jogo puxa o jogador pelo pé para que ele sinta as dores de seu personagem, vemos que estamos na mão de mestres em contar histórias. Mestres esse que finalmente conseguem mostrar que os jogos são a evolução natural no método de narrativa. E para traçar o futuro, _Kentucky Route Zero _pisa no passado.

Kentucky Route Zero: Act III destrói sua alma com dívidas do passado

O ano não foi muito bom para os grandes jogos. Depois de 2013, formidável com no mínimo três jogos para entrar para a história, 2014 foi um balde de água fria com títulos em lançamentos desastrosos (sim, Assassin’s Creed, estamos falando de você), com o grande destaque do ano indo para os remakes de The Last Of UsGrand Theft Auto V e o The Master Chief Collection. Não é por nada que os títulos de melhores do ano estão indo para todos os lados. Enquanto alguns celebram Dragon Age: Inquisition como o melhor jogo do ano (um título merecido), outros apostam em Middle-Earth: Shadow of Mordor, a grande surpresa que 2014 trouxe. Embora excelentes, porém, nenhum dos dois superou o pequeno capítulo do point-and-click adventure que é o terceiro ato de Kentucky Route Zero.

Precedido pelo não menos excelente The Entertainment (que possui ligações necessárias para a total compreensão de KR0), o terceiro ato da jornada de Conway e Shannon respeita a estrutura dramática cênica dos EUA, muito inspirado nas peças de Tennessee Williams. Se os dois primeiros atos formam o cenário, os mistérios e ditam os personagens, o terceiro ato cria o ponto de virada.

Mas é aí que Kentucky Route Zero: Act III transcende e não só se transforma em um ponto de virada na própria narrativa: ele se transforma em um ponto definitivo para os jogos como um todo.

Começamos KR0 3 com um flashback. Vemos a manhã antes da partida de Conway, com ele e Lysette, a dona do antiquário em que ele trabalha, em um último café-da-manhã. Ela está doente, o Lysette’s Antiques precisa fechar. Mas há algo mais ali, que vai além da morte do filho, além da saudade do marido. Algo entre ela e Conway. Um amor? Um desejo? Esse ato nos responderá brilhantemente.

É mais um pequeno negócio que se vai nessa América em que os pequenos negócios perdem seus lugares para as grandes corporações. As contas não vão boas para ninguém, e Shannon sabe disso: ela está prestes a perder sua própria usina de reparação de TVs. O flashback acaba e voltamos para o ponto que o segundo ato nos deixara: a casa no meio da floresta de um médico. As coisas começam a mudar aí: nós não sabemos do resto do diálogo, pois estamos sob a perspectiva de Conway, mas pegamos o final. Há uma conta sobre o exame e ela precisa ser paga. A perna dele brilha — a perna não é mais dele, é da dívida. A relação inteira está formada.

Kentucky Route Zero _é um adventure em que, ao invés de escolhermos o caminho pelo qual nossos personagens seguirão, definimos _quem eles são. Se são pessoas sintomáticas, que vão direto ao ponto e ignoram os detalhes da vida daquelas que nos cruzam; ou se somos andarilhos, sedentos pelas histórias de terceiros. Suas escolhas de diálogo são as que refletem quem você é, e o que você saberá sobre essa história. E Act III é um dos únicos jogos a representar o sul dos EUA pós-crise econômica que assolou o país em 2008. Em que os negócios familiares tiveram de fechar para pagar dívidas de bancos; em que as pessoas, perdidas, não sabiam de onde vinham as hipotecas que lhes eram cobradas.

Existe um momento chave para isso nesse terceiro ato. Ao chegarmos no final, Conway nos conta o que aconteceu em um momento anterior, que não acompanhamos pois seguimos com outro personagem. A cena na destilaria é muito semelhante ao que aconteceu em 2008. O encontro com “Os Estranhos”, pessoas que são representadas no jogo como esqueletos brilhantes — bem como a perna de Conway. A ligação torna-se clara, aí. Bem como a perna do nosso personagem é uma dívida pendente, os Estranhos não são nada menos que corpos afundados em dívidas. O que acontece em seguida é um conjunto de desentendimentos e linguagem críptica de propósito para que Conway aceite um gole de um uísque bastante caro — tão caro, Conway nos diria depois, que ele terá de trabalhar como entregador para eles.

Para quem acompanhou a crise de 2008, a cena é bastante familiar. O desentendimento causado pela linguagem propositalmente complexa dos Estranhos ressona a linguagem evasiva usada pelos bancos, que faziam famílias sem condições financeiras assinarem montantes que elas provavelmente nunca conseguirão pagar; e pela polícia, que precisava defender uma legislação que só defende os mais ricos. Essencialmente, Conway fica desorientado, e é literalmente forçado a tomar o gole que ele não quer (se você fez algumas escolhas de diálogos no primeiro ato, saberá que ele está sóbrio há anos). Esse literalmente não é gratuito: quando a opção para tomar o gole surge, o jogo muda. Pela primeira vez até ali, ele assume controle do ponteiro do mouse e o leva até a única opção.

Esse é o momento chave de Kentucky Route Zero: Act III, em que não só a questão financeira entra em discussão, mas todo o propósito de jogos como expressão narrativa e artística. Tudo muda a partir daqui. A cena continua para seu final. E o que acontece com o jogador, que se sente traído pelos personagens e pelo próprio jogo, é de revolta e desconforto, que nos coloca em um ciclo de dívida com o personagem que nós sequer podemos pagar ou nos desculpar. É quando o jogo exibe todo seu poder de magnificência e magia para manipular o espectador e mostrar aquilo que ele realmente quer — fazer o jogador sentir no corpo, na consciência, o mesmo sentimento de seu personagem.

Em uma reportagem para a Polygon, Jake Elliott, um dos dois escritores e desenvolvedores de KR0, disse que o jogo “é uma tragédia, e todas as tragédias terminam do mesmo modo”. A dica leva aos princípios aristotélicos da Dramática, mas representam muito bem aquilo que Kentucky Route Zero é. Seu mágico realismo nos proporciona cenas memoráveis, como a canção de Junebug e a subida da Montanha do Rei, com referências ao belíssimo “Esperando Godot”. Mas em sua cena final, mais que as produções fotorrealistas por aí, Act III termina dolorosamente real.

A Cabeça e o Coração

Pra começar essa ótima semana, a dica é The Head and the Heart.

Vindos de Seattle, formados em 2009, a pequena banda independente de folk é uma daquelas descobertas que o Spotify apresenta na maior sem-vergonhice, no Radio, e tu tem que ficar pescando depois pra encontrar de novo.

Se você viu How I Met Your Mother, Chuck ou o filme O Lado Bom da Vida, provavelmente já ouviu alguma música do conjunto americano. Misturando influências que vão do country até o pop à Beatles, The Head and The Heart formava, já no seu primeiro ano, um buzz ao abrir os shows de Vampire Weekend, Iron & Wine, My Morning Jacket e Death Cab for Cutie.

Nesse primeiro álbum, que é todo bom, eu recomendo Ghosts, Down in the Valley, e Sounds Like Hallelujah.

Sexta-feira é dia de ouvir Cloud Control

Sexta-feira boa é sexta-feira acompanhada de uma boa música, certo? Pois bem, pra encerrar essa semana muito bem resolvi compartilhar com vocês outra banda que tem um espaço muito especial no meu coração. Hoje é a vez do Indie rock do Cloud Control.

Eu conheci a banda Australiana no início de 2012, e foi amor à primeira música.

A banda se formou em 2007 e lançaram dois álbuns até então, Bliss Release, de 2010 e Dream Cave de 2013, e o terceiro está a caminho (e eu já não aguento de tanta ansiedade). Os dois primeiros álbuns são bem diferentes, embora eu goste mais do primeiro, ambos são excelentes trabalhos, apesar da diferença.

Cloud Control não é uma banda que se explica, então pra conhecer (e se apaixonar) de verdade, só escutando.

As músicas têm uma pegada leve, pra cima, alto astral, perfeito pra curtir no final de semana.

Dá pra curtir sozinho, com os amigos e até mesmo sair dançando por aí, porque Cloud Control combina com felicidade e felicidade combina com sexta-feira.

Ernest & Celestine

Todo mundo tem um gênero de filme preferido, mas uma coisa é fato, não há quem não se renda aos encantos de uma boa animação, acho que é uma espécie de pausa nessa coisa chata de ser gente grande. E para alegrar esta terça-feira de inverno, a dica de hoje é uma das melhores (e com certeza a mais bonita) animações que já vi na vida, Ernest & Celestine.

O filme, que é baseado nas histórias infantis da escritora e ilustradora belga Gabrielle Vincent, conta a história de Celestine, uma pequena ratinha que vive em uma cidade subterrânea, onde os ratos crescem ouvindo histórias sobre Os grandes ursos malvados, que vivem na cidade acima. É lá que vive Ernest, um grande urso um tanto quanto ranzinza, mas que de malvado não tem nada.

Então como poderia haver uma relação entre esses dois personagens, senão da forma mais trágica possível? A beleza dessa história se afirma na visível diferença de Celestine. Ao contrario de todos os outros ratos da cidade, ela não teme os ursos, e chega ate a questionar a veracidade das histórias contadas a eles sobre a crueldade dos vizinhos da cidade acima. Celestine nem mesmo compartilha do sonho de todos os ratinhos, de se tornar dentista. Ela sonha em ser uma artista. Sonha em ser diferente.

Então Celestine e Ernest finalmente se conhecem, em um pequeno incidente, onde a ratinha quase vira o café da manhã de um urso faminto. Mas depois de muita insistência por parte da pequena, (que queria provar não só para os outros ratos mas também para si mesma que nenhuma amizade é impossível) os dois acabam construindo uma linda amizade. E apesar da grande diferença ilustrada entre os dois, não só no tamanho, eles compartilham de uma grande paixão, a arte. A partir daí os dois descobrem que não são diferentes assim, e acabam se metendo em grandes confusões por conta dessa amizade tão improvável.

Apesar de não ter levado a estatueta de melhor animação pra casa (que ficou com o filme da Disney, Frozen: uma aventura congelante), o filme se sobressai em muitos aspectos, e na minha — humilde — opinião, é uma das melhores e mais belas animações já feitas.

Histórias sobre amizades são feitas aos montes, mas Ernest & Celestine não trata apenas disso, não é uma amizade qualquer, é a quebra de uma enorme barreira social. A luta por essa amizade é construída de uma maneira tão delicada e tão linda estética e emocionalmente, que enquanto olhamos o filme não nos damos conta do quanto aprendemos com ele, independente da nossa idade. Ele exerce de maneira exímia o seu papel como fabula, e nos deixa uma linda lição de moral.

Afinal de contas quem disse que um rato e um urso não podem ser amigos? E que barreira é grande o suficiente, quando se tem amor, carinho e amizade?

Magneto: Atos de Terror

No início do ano, aqui no Brasil, foram lançados alguns quadrinhos dedicados aos vilões do universo Marvel – e todos sabemos que histórias sobre vilões são muito melhores do que histórias sobre herois. Em Atos de Terror, o mestre do magnetismo luta lado a lado com os X-men, deixando seu posto de nêmesis do grupo para trás, criando, junto a Scott, uma nova forma de lutar pela causa mutante.

Tudo muda, entretanto, quando Erik é filmado assassinando um grupo de quarenta manifestantes anti-mutantes. Com Capitão América e o Homem de Ferro em seu encalço, o líder mutante precisará provar que se redimiu de seus crimes e que há alguém por trás da morte do grupo.

Fico muito feliz quando uma história me surpreende, principalmente quando se trata de X-men. Foi difícil engolir a rixa com os vingadores, a vinda da Fênix, Utopia e toda a mudança de Scott, mas confesso que não consigo deixar de gostar do grupo mutante. Magneto é, sem dúvidas, um dos melhores personagens da Marvel, e é sempre interessante acompanhar qualquer obra que envolva o aprofundamento no universo do vilão.

Quanto a isso, Atos de Terror cumpre sua função nos envolvendo com uma trama riquíssima, pronta para ser desvelada por Magneto. A questão que a história levanta – mais especificamente, que um antigo aliado levanta, o verdadeiro autor dos assassinatos – é: se não houverem mais vilões como Erik, se todos passarem para o lado dos mocinhos, não haverá mais nada a ser combatido? O único inimigo é aquele que joga um jogo sujo e usa, ao contrário do heroi, o caminho do crime, o caminho obscuro para alcançar seus objetivos?

A vilania não é uma fantasia a ser vestida e um conjunto de regras a ser quebrado. Erik sabe disso e é justamente esse conhecimento – junto com seus poderes extraordinários, claro – que o transforma em um dos mais poderosos personagens da Marvel.

Citando o próprio Magneto, nessa história não existem lados. O poder não é disputado pelo bem e pelo mal, mas por todos aqueles que não concebem o bem comum como finalidade, mas como forma de controle ou ligação para outros fins. Quase que um jogo de poderes onde o que está em jogo, a recompensa, é o poder em si ou o direito de continuar na disputa por ele. E, no caso dos mutantes, o direito de viverem livres no mundo humano também está na mesa, mas alguns miram mais alto.

Magneto: Atos de Terror é uma ótima história para quem está cansado de salvar o mundo e gosta de variar um pouco. Afinal de contas, o que seriam dos herois se não fossem os vilões?

A melancolia anunciada de Cicero

Uma gaveta esquecida dentro do armário, uma prateleira de bagunças qualquer ou uma caixa velha de sentimentos esquecidos. Um álbum de recordações amargas, uma coleção de saudade. É assim que eu descrevo a música do carioca Cícero. Uma melancolia organizada em versos. E como são lindas essas poesias cheias de vazio alheio.

Cícero lançou o seu primeiro álbum, Canções de apartamento, em 2011, as canções, como sugere o título do trabalho, foram todas gravadas no apartamento do cantor. O disco que foi posto pelo cantor para download gratuito na sua página no Facebook teve uma repercussão imensa.

A construção do álbum é impecável, escutar Canções de apartamento é como estar lá, em total isolamento dentro de um apartamento cheio de saudade. As referências musicais e literárias do cantor são apresentadas o tempo todo na construção no trabalho (ate mesmo na capa do disco).

O álbum é composto por 10 canções, as letras são todas muito sólidas, poéticas e muito pessoais. Faixa a faixa nós vamos sendo conduzidos a uma série de sentimentos, alguns um pouco confusos, mas todos muito breves. Nos quase 36 minutos do disco, somos convidados, não só para entrar no seu apartamento, mas também na sua vida, nas suas memórias e angustias.

A última música do álbum, Ponto cego, anuncia com alegria a chegada da sexta-feira “Mas quem se importa? É sexta-feira amor!”. Dois anos depois Cícero lança o seu segundo trabalho, o álbum Sábado, dando continuidade ao primeiro.

Os tantos fãs conquistados com o primeiro trabalho, que aguardaram com uma ansiedade imensa o segundo álbum, provaram de uma certa dose de decepção, não o suficiente pra deixar de gostar, mas como a maioria diz o álbum Sábado tá mais pra um domingo, daqueles bem chatos. Talvez sim, talvez não. O disco apresenta canções mais abstratas e uma grande diferença em termos estéticos, mas em nenhum momento deixa de ser bom.

O fato é que, ao contrário do Canções de apartamento, Sábado não tem nenhum breve momento de felicidade. Talvez esse tenha sido o maior incomodo das pessoas, mas quem disse que sábado precisa ser um dia feliz pra todo mundo? O que pra uns é um domingo, pras outros pode ser uma segunda, uma quarta, ou qualquer outro dia, porque afinal de contas todo mundo tem um dia meio “Sábado”.

Se o primeiro álbum nos coloca em um apartamento solitário, com uma xícara de café cheio de lembranças em uma tarde de chuva, o segundo é como um porre de whisky em uma noite de sábado tentando esquecer de tudo. Cada um deles com a sua beleza particular, mas ambos são trabalhos lindos.

Cícero é um tipo de cantor pra se ouvir com alma e, quem sabe, até tirar a tal da solidão pra dançar.

As Vantagens de Ser Invisível

Um adolescente atormentado que encontra abrigo em grupo de desajustados, até aí nenhuma novidade. O primeiro contato com sexo, álcool e drogas, a tortura do ensino médio? A mesma coisa de sempre. No entanto, Chbosky narra o conhecido drama adolescente de uma forma muito singular, ele não nos apresenta um problema, mas sim uma vantagem. Ou melhor, As vantagens de ser invisível.

O livro é formado por cartas que Charlie, o personagem principal da trama, escreve a um amigo desconhecido (e muito especial).

O autor se utiliza de uma metalinguagem muito delicada para nos fazer não apenas ler, mas viver o livro.

A evolução da “escrita de Charlie” nas suas cartas é uma delas, conforme a história se desenvolve e o gosto pela leitura e escrita vai aumentando a redação de suas cartas vai tento um aumento significativo de qualidade, mas polida e mais coesa. Por conta disso evoluímos junto com o Charlie no decorrer da história. Vibramos com as novas amizades, nos apaixonamos pela Sam (e claro, odiamos o Craig), sentimos orgulho do Patrick, e quem consegue ler ate o final sem ter vontade de mandar Mary Elizabeth calar a boca? Admiramos profundamente o professor Bill. Voltamos aos 15 anos, aos anos 90, fumamos e bebemos pela primeira vez, nos encantamos pelos Smiths, e principalmente, nos sentimos infinitos.

Descobrimos que não precisamos ser amigos de todos, porque em algum lugar os amigos certos (ou os errados) estão esperando por nós, e essa é a real vantagem de ser invísivel.

É aí que está a beleza da história. A vida que o autor da ao livro.

Pra mim As vantagens de ser invisível é um livro sobre a vida, e como se sentir vivo é bom, e como são bons aqueles momentos, quando você passa por um tunel escutando uma música incrível com as pessoas que mais ama na vida, ou qualquer outro momento especial, aquele no qual você se sente infinito.

E o principal de tudo, no final ter a grata surpresa de que o amigo a quem Charlie dedicou tanto tempo e amor compartilhando a melhor parte da sua vida, é você.