Em memória à ilha do Wii Fit

Pelo último um ano e meio eu visitei a ilha do Wii Fit quase que diariamente. No verão eu costumava visitar no início da manhã, e no inverno eu costumava visitar no fim da tarde.

Logo depois que a Vivi morreu, em agosto de 2019, eu comecei a procurar formas de ocupar o tempo que eu antes dedicava à ela. Eu pensei que eu devia começar a me exercitar mais, então eu encontrei um Wii Fit Plus usado no Mercado Livre. Eu sou bastante sedentário, e não gosto do ambiente de academia ou da cobrança que eu poderia sentir vendo outras pessoas se exercitando, então o Wii Fit parecia uma boa saída: ao invés de você reservar umas horas por dia para se exercitar, o jogo te ajuda a criar hábitos um pouco mais saudáveis espalhando pequenos treinos de 5, 10 ou 15 minutos pelo dia. Já no início de 2020 eu conseguia fazer cerca de trinta minutos por sessão, além de ter melhorado muito minha postura, o meu sono e a minha disposição.

Em outubro de 2020 eu finalmente encontrei um Ring Fit Adventure em um preço não-estratosférico. Ele chegou ontem, e por enquanto eu só consigo fazer sessões de cinco minutos antes de pedir arrego. Acho que isso é bom.

Mas com essa notícia vem também minha despedida do Wii Fit, um jogo que, por mais de um motivo, se tornou em uma parte essencial do meu dia-a-dia. No início, ele me ajudava com a ausência da Vivi. Com o tempo, ele se transformou em um momento essencial do meu dia: os exercícios de yoga e os aeróbicos que vem no pacote me ensinaram a entender muito mais como o meu corpo funciona — o que sustenta o quê, que movimento pode ajudar outro, etc.

E, no meio da pandemia, o Wii Fit trouxe ainda mais um detalhe. Seus exercícios se passam em uma ilha habitada por Miis, os avatares dos consoles da Nintendo. Meu Wii tem uma certa idade, e com o tempo vários amigos meus criaram Miis para jogar Just Dance, Super Smash Bros. Brawl ou até mesmo Wii Sports. Todos eles acabaram aparecendo nas minhas visitas à ilha. Nos exercícios de caminhada, por exemplo, eles estão dando voltas na pequena cidade. Alguns andam de bicicleta, e outros passeiam com cachorros imaginários. Em outros exercícios, como o bambolê, eles estão na plateia ou ajudando com a própria execução, sendo guias de equilíbrio ou simplesmente acompanhantes.

São detalhes pequenos como esse que tornam a experiência de Wii Fit especial. Ao invés de ser apenas uma série de exercícios em um pacote, o jogo cria um ambiente em que você visita e pode reencontrar velhos amigos.

Ring Fit Adventure parece ser muito mais eficaz que Wii Fit. Os controles são mais precisos e os exercícios são mais focados. Mas eu ainda não senti o apelo de voltar à ele como eu sentia no outro jogo. A balança, o seu tutor durante a maioria dos exercícios no Wii Fit, é um excelente professor que te ensina a importância de respirar profundamente, algo que Ring Fit Adventure não parece muito interessado. Eu entendo o apelo de tornar os exercícios disponíveis rapidamente para os jogadores, e eu vou acabar me adaptando a esse novo ritmo (eu também tive meu período de adaptação com o Wii Fit), mas eu vou sentir falta de reencontrar meus amigos naquela tarde sempre ensolarada da ilha imaginária.

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