Minha dieta cultural nas últimas semanas

Minha dieta cultural nas últimas semanas


Oi pessoal! As últimas semanas têm sido uma loucura, e eu infelizmente tô sem tempo pra terminar os posts que eu tenho planejado pra postar no PCM. Em um mundo perfeito eu teria contribuições bacanas pra postar nas semanas que eu não consigo escrever, mas em um mundo mais perfeito ainda eu teria dinheiro pra pagar meus amigos pra escrever algo legal, então eu não fico chateado com isso (mas esse é um dos meus planos pro PCM em 2020, spoiler!).

Então, eu decidi que essa semana eu não vou forçar sair um texto ruim sobre algo que eu gosto (como eu fiz com Succession semanas atrás), eu decidi fazer um resumo do que eu gostei de ler, ver, escutar e jogar nas últimas semanas. É algo inspirado no que o Jason Kottke faz há anos no seu blog (que eu também gosto muito, então essa a primeira dica).


Eu ando lendo muito sobre Watchmen ultimamente. Não só por causa do post de duas semanas atrás, mas também porque a série é fantástica e, como The Leftovers, tá rendendo análises e ensaios excelentes.

O The Ringer publicou três textos excelentes que vão fundo nas contradições que fazem a série da HBO ser tão empolgante e rica em interpretações (algo que, vale dizer, pode implodir a série a qualquer instante):

Keith Phipps, um dos meus críticos de cinema favoritos, fez um ranking da melhor franquia do cinema: Godzilla. Todos os Godzilla são excelentes, isso é cientificamente comprovado.

Eu não sou o maior fã de BoJack Horseman, uma série que eu gosto mas falho em me envolver emocionalmente como a maioria dos meus amigos, por isso não escrevo sobre ela aqui. Mas se eu escrevesse, eu queria que fosse basicamente algo como BoJack Horseman is its own harshest critic no The Verge.

Uma das coisas que torna a discussão ao redor de Watchmen tão excelente é que a série tá lidando com fogo de uma maneira tão boa que é difícil de fazer hot takes sobre ela no Twitter, algo que cansou a mente de qualquer pessoa que entrou naquele site nas últimas semanas por causa de coisas como o embate sobre o filme do Coringa ser um perigo pra sociedade ou o fato do Martin Scorsese não gostar de filmes da Marvel, onde basicamente dois grupos de pessoas ficavam brigando em uma constante falsa-equivalência que cansava todo o mundo. Sobre isso eu li esse excelente texto do Bilge Elbiri, Okay, Fine, Let’s Talk About Marvel. É bacana observar também que os fãs desses filmes decidiram parar tudo o que faziam para defender uma corporação que detém 40% da bilheteria internacional e quatro dos cinco filmes mais vistos do ano, mas ninguém se prestou pra criticar como ela está dificultando o acesso das pessoas a filmes mais antigos, como Matt Zoller Seitz investigou em Disney Is Quietly Placing Classic Fox Movies Into Its Vault, and That’s Worrying.

Além disso, o Deadspin, um blog sobre esportes que também posta sobre cultura, política e qualquer coisa que passe pela cabeça dos autores (porque, bem, é um blog), está sendo implodido pelo seu novo chefe, mas é encorajador ver os escritores do site não terem medo de contnuar o excelente trabalho que eles sempre fizeram (o que está causando a demissão dos seus editores) em textos como This is How Things Work Now At G/O Media e The Adults In The Room. Quer ver como o jornalismo do Deadspin é bom, mesmo se você não liga para esportes? Experimente Honestly, You’re Being So Dramatic About Ellen DeGeneres Yukking It Up With A War Criminal At A Cowboys Game, afinal jornalismo esportivo não existe num vácuo.

Eu tenho uma categoria na minha lista de leituras no Pinboard chamada “alguém me socorre desse mundo” em que eu coloco textos sobre como parece que a gente tá vivendo no fim dos tempos, meu tipo favorito de literatura porque reflete minha vida. O mais novo integrante dessa seleta categoria de excelentes textos na internet é The 2010s Broke Our Sense Of Time. É provavelmente o texto que eu mais recomendo você ler de todos esses. Deixa eu pôr uma ênfase aqui pra chamar a atenção.


Séries

Além de Watchmen, que eu tô apaixonado, e de rever Gilmore Girls diariamente pra manter a minha saúde mental intacta nesse mundo, eu terminei The Deuce (HBO Go) ontem. Uma das melhores séries que eu já vi no último ano, é uma jornada pela história do início da indústria de filmes pornográficos na Nova York dos anos 70 e 80. É pesada, como as outras séries do David Simon (The Wire, Treme), mas vale cada segundo. (Não tem tanto James Franco quanto o material publicitário vende, o que é sempre bom pra saúde).

Eu também tô assistindo Forever (Prime Video), uma comédia com Maya Rudolph e Fred Armisen sobre um casal que vive uma vida bem pacata, até que tudo muda (em uma surpresa boa demais pra estragar aqui) e eles começam a questionar sua rotina e o casamento. É muito boa, e como boa parte das “comédias” nessa década, é cheia daqueles momentos silenciosos e tristes sobre o vazio da existência. Uma pena que foi cancelada. :(

Silicon Valley voltou esse domingo também! Eu ainda não vi o episódio, mas tô empolgado. É a última temporada.


Filmes

Aí vai um segredo que meus amigos da faculdade de cinema não podem saber: eu não tenho mais vontade de assistir filmes. Sério, é um problema que eu não sei como resolver. Ultimamente eu ando vendo filmes por obrigação, e puxa eu odeio isso porque eu amo ver filmes.

Mas enfim, eu vi algumas coisas que eu gostei muito nas últimas semanas. O melhor deles foi um curta que vi no MUBI, …À Valparaiso. Ele já saiu do serviço mas ei, olha quem eu achei no YouTube:

Meu amigo Leo me recomendou De Olhos Bem Fechados (HBO Go), o último filme do diretor Stanley Kubrick, um cara que eu não gosto muito (sem piada), mas esse filme é fantástico e levemente perturbador. Recomendo muito.

Eu também gostei muito de A Bolha Assassina (HBO Go), um filme de terror de 1988 que me impressionou pelos efeitos visuais e também pelas observações sociais em que uma cidade no interior dos EUA que prefere acreditar num bando de velho conservador do que jovens que viram um monstro devorando uma pessoa. Bem… preciso, pra falar a verdade.

O MUBI tá fazendo uma retrospectiva da obra de Michael Haneke, um diretor difícil de assistir não só pelos seus filmes conterem visões perturbadoras de violência e apatia humana, mas porque são formalmente crueis. Eu não gosto muito do início da carreira do diretor, e dela eu recomendo principalmente Violência Gratuita, que é um filme difícil de assistir mas quase que um resumo da ópera sobre suas preocupações da midiatização da violência. Agora, Caché é um dos melhores filmes que eu já vi, e leva tanto o método quanto os temas do diretor pra outro patamar (nesse fim de semana entra A Fita Branca, um filme que tá envelhecendo melhor do que deveria).