Os indicados ao Oscar, ou o Prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas pros chatos, foram anunciados nessa terça-feira. Muita gente diz que os Oscares não importam (spoiler: nunca importaram), mas eles ajudam filmes que de outra forma não teriam chance nenhuma de aparecer por aqui (como Moonlight esse ano, que veio com força total pro prêmio), e ainda é uma das épocas mais divertidas do ano pra fazer maratona de filmes. Esse ano a gente vai te ajudar com ela.

Uma coisa diferente aconteceu em 2017: os favoritos pro Oscar demoraram pra aparecer. Eles começam a fazer barulho em meados de outubro, mas em 2016, com Mad Max: Estrada da Fúria, o Oscar já tinha um favorito no meio do ano. O caso mais próximo de favoritismo veio com A Chegada, que não fez uma fração do barulho do filme do George Miller ano passado.

A gente vai organizar a maratona por seis categorias (filme, diretor, atriz, ator, ator coadjuvante, atriz coadjuvante e animação), mas não repetiremos filmes. Ou seja: os filmes indicados a melhor filme não vão ser repetidos nas outras categorias indicadas, capiche? Beleza. Semana que vem fazemos de outras categorias. Vamos lá.


Melhor Filme

A briga está entre dois: Moonlight: Sob a Luz do Luar e La La Land: Cantando Estações. Dificilmente vai sair pra outro lado, mas se sair vai pra Manchester à Beira-Mar ou Um Limite Entre Nós. Temos ainda Estrelas Além do Tempo e A Chegada, além dos com quase nenhuma chance: A Qualquer Custo, Até o Último Homem e Lion: Uma Jornada para Casa. Essa é a ordem de prioridade pra ver esses filmes, se não tiver tanto tempo. A categoria é a mais imprevisível teoricamente, mas o sindicato dos produtores costuma acertar bastante, vamos esperar pra ver.

  • Moonlight: Sob a Luz do Luar estreia nos cinemas em 23 de fevereiro. É o grande favorito e, para muita gente que já viu, o melhor filme de 2016. É sobre a busca da identidade de um garoto negro e gay na intolerante Miami.
  • La La Land: Cantando Estaçõesestá nos cinemas, e parece que vai ficar um tempo porque tá fazendo dinheiro. É a história de sucesso de 2016: o segundo filme do diretor de Whiplash: Em Busca da Perfeição que revitaliza um dos mais antigos, e mais mortos, gêneros do cinema. Já foi nossa dica por aqui, e a gente gostou um bocado.
  • Manchester à Beira-Mar também já está em cartaz. É um ótimo filme do diretor do fantástico Margaret, e eu recomendo muitíssimo. Existe muita controvérsia sobre o ator principal, Casey Affleck (o favorito na categoria), o que é realmente uma pena pra um filme tão bom. Vá pela Michelle Williams, que está fantástica.
  • Um Limite Entre Nós não tem previsão, mas a Paramount garante que estreará o filme dirigido e estrelado por Denzel Washington com Viola Davis no elenco ainda no mês de fevereiro. O filme é baseado em uma peça de August Wilson, e o tipo de filme que não leva os grandes prêmios fora das categorias de atuação (Davis é a favorita pra atriz coadjuvante). Parece ser ótimo.
  • Estrelas Além do Tempo estreia em 2 de fevereiro, é o único filme produzido por um grande estúdio nessa categoria (A Chegada foi comprado pela Paramount, mas produzido por um estúdio independente durante todo o processo anterior). É o baseado-em-fatos desse ano, mas parece ser muito melhor que os dos anos passado (se bem que Spotlight é um filme bem bacana). Não é o favorito em nada esse ano, mas filmes assim sempre acabam roubando um ou outro prêmio, então é pra ficar atento nesse aqui.
  • A Chegada está no limbo entre cinemas e home video. Ele chega no iTunes em 14 de fevereiro, e deve aparecer em DVD e Blu-ray em março, mas com as indicações pode arranjar um contrato em streaming mais rapidamente, então cuida a HBO (o filme é distribuído pela Sony no país, que tem contrato com a HBO). Esse é o “blockbuster” indicado ao melhor filme nesse ano. Entre aspas porque o filme não tem o preço nem a bilheteria de um arrasa-quarteirão como nos anos anteriores. É um ótimo filme que também já foi a dica aqui no :bread:.
  • A Qualquer Custo estreou nos cinemas em 5 de janeiro, mas em circuito muito restrito, que vai se expandir agora dia 2 de fevereiro. É um filme bastante surpreendente de um diretor que não fez nada de muito brilhante antes, mas que aqui faz um faroeste moderno bastante simbólico pós-crise financeira. Vale a pena ver.
  • Até o Último Homem estreia hoje nos cinemas. É o filme de guerra obrigatório em toda a categoria de melhor filme, mas dizem que tem o segundo papel de sucesso em que Andrew Garfield interpreta um cristão vivendo um conflito entre sua fé e as atrocidades ao seu redor (o outro é Silêncio, um dos esnobados esse ano). Não se empolgue muito.
  • Lion: Uma Jornada para Casa estreia em 16 de fevereiro nos cinemas. É o outro baseado-em-fatos desse ano, e dizem que é o mais caro anúncio do Google Maps da história. É um chamado “tearjerker”, ou aqueles filmes que manipulam o choro até quando não deveriam. Se tem um filme pra ignorar esse ano, provavelmente é esse. É o que vai ter defensores ferrenhos na semana do Oscar mas uma semana depois todo mundo vai ter se esquecido.

Melhor Diretor

Os cinco filmes indicados a melhor direção também estão indicados a melhor filme. O favorito aqui é Damien Chazelle, por La La Land: Cantando Estações, mas a força de Moonlight: Sob a Luz do Luar pode fazer Barry Jenkins levar esse prêmio também. Kenneth Lonergan merecia muito mais por Margaret, e sua indicação aqui é muito mais por repeito do que por Manchester à Beira-Mar, embora eu ache um ótimo filme. Mel Gibson está aqui por motivos incalculáveis pela mente humana com o seu Até o Último Homem. Denis Villeneuve faz um baita filme só com uma parede em A Chegada, mas o filme tem poucas chances nas categorias principais. Phew. Essa categoria fica mais certa quando o sindicato dos diretores anunciar seus prêmios.

Melhor Atriz

É a categoria mais acirrada da noite, diferente dos anos anteriores em que uma atriz claramente dominava a corrida. Isabelle Hupert levou o Globo de Ouro por Elle (não que isso importe muito), mas Emma Stone é a indicada pelo favorito La La Land: Cantando Estações. Ruth Negga surpreendeu com a única indicação pra Loving, que perdeu muito do fôlego que ganhou em Cannes no ano passado; assim como Natalie Portman em Jackie. E tem Meryl Streep, indicada esse ano quase que por obrigação pelo seu papel bem decente em um filme bem mais ou menos, Florence. Assim como as outras categorias de atuação, o favorito dessa corre na frente quando o sindicato dos atores anunciar sua premiação (atores são o maior número dos eleitores no Oscar).

  • Elle está em cartaz. Como foi lançado há um tempo, ele está em poucas salas mas deve ganhar mais algumas pros interessados em ver. Vale muito a pena, Huppert tá excelente em um filme que, embora desconfortável e divisivo, seja necessário.
  • Loving é um dos mistérios: ele não tem sequer previsão de lançamento ainda. A indicação de Ruth Negga deve espremer ele em algumas salas ainda esse mês, mas não dá pra garantir. Talvez ele apareça direto no Netflix, como outro sucesso de Cannes (Docinho da América) fez.
  • Jackie será lançado nos cinemas em 2 de fevereiro. Dirigido pelo chileno Pablo Larraín, segue Jacqueline Kennedy nos momentos após o assassinato do seu marido, John F. Kennedy. É uma das atuações mais aclamadas e um dos filmes mais divisivos do ano, então vale a pena ver.
  • Florence: Quem É Essa Mulher? já saiu dos cinemas e está em DVD e Blu-ray. É a indicação muito mais pelas manifestações de Streep contra Trump e pelo respeito que a Academia tem pela atriz do que qualquer outra coisa. É um filme bem mediano e esquecível, que tem seu humor e tudo o mais.

Melhor Ator

Uma das categorias mais certas da noite, deve ir para Casey Affleck pelo seu Manchester à Beira-Mar, mesmo coberto de polêmicas pela agressão que cometeu contra mulheres no set de Eu Ainda Estou Aqui. Como polêmica tirou Nate Parker da disputa com seu Nascimento de uma Nação, há alguma chance de ele perder aqui, mas a disputa tá pendendo muito pro seu lado. Fora ele tem Andrew Garfield pelo seu Até o Último Homem (embora todos sabem que deveria ser por Silêncio), Ryan Gosling por La La Land: Cantando Estações, Viggo Mortensen por Capitão Fantástico e Denzel Washington por Um Limite Entre Nós. Também, a corrida fica mais clara quando o sindicato dos atores anunciar seus prêmios, mas é quase certo que vai pra Affleck.

  • Capitão Fantástico está em cartaz. É um filme bem ruinzinho, e nem a atuação de Mortensen, que é um ótimo ator, se salva. Não sei como foi parar aqui, mas né. O cara merecia ser lembrado depois da sua fase com o Cronenberg acabar.

Melhor Ator Coadjuvante

Assim como a categoria de melhor atriz, essa aqui tá imprevisível por enquanto. O prêmio tá pra ir pra qualquer lado, e os menos prováveis são bem prováveis. O favorito, por pouca margem, é Mahershala Ali, por Moonlight: Sob a Luz do Luar; mas Dev Patel pode levar por ser um meio-protagonista-meio-coadjuvante no Lion: Uma Jornada para Casa. Tem o Jeff Bridges que a Academia adora no A Qualquer Custo; um inspirado Michael Shannon no péssimo Animais Noturnos; e o excelente Lucas Hedges no ótimo Manchester à Beira-Mar. A aposta é livre.

  • Animais Noturnos está em cartaz. É uma bosta, sério.

Melhor Atriz Coadjuvante

Como melhor ator, a favoritíssima aqui é Viola Davis em Um Limite Entre Nós, mas a categoria está bastante fraca esse ano. Naomie Harris é indicada por Moonlight: Sob a Luz do Luar, e é uma atriz que há anos vem fazendo uma carreira estelar e que parece uma das favoritas aqui. Fora isso, Nicole Kidman em Lion: Uma Jornada para Casa parece muito indicação da Academia avisando que ainda lembram de Kidman; Michelle Williams, que em três minutos em Manchester à Beira-Mar transforma o filme em algo fantástico; e Octavia Spencer por Estrelas Além do Tempo. Os cinco filmes foram indicados nas outras categorias que a gente já cobriu aqui.


Semana que vem vamos fazer das categorias Melhor Documentário, Melhor Filme de Animação e Melhor Filme Estrangeiro. :)