Eu não concordo com as opiniões das pessoas que entendem mais de música do que eu de que uma banda precisa sempre seguir em frente ou se reinventar num novo disco. Eu olho pra Random Access Memories, que é um Discovery levado à perfeição, e acho que seguir em frente às vezes já é o suficiente.

Então, é claro, eu levei aquele susto quando “Dangerous” começou. Dá pra perceber que é o The xx que eu conheço de Coexist e xx, mas tá diferente. O que é essa batida? Esse vocal tá mais “duro”? Eles pararam de tirar as coisas de suas músicas, essa é a impressão, e decidiram colocar um pouco dos três ali.

Esse é o grande acerto de I See You. Ele incorpora o grande talento que Jamie xx mostrou em seu In Colour com a personalidade que o The xx havia mostrado antes: um som de limites, que conhece até onde pode chegar, e busca sempre alcançar novos degraus nesse ambiente que eles criam. Se em Coexist parecia que eles lapidavam ainda mais o excelente xx, em I See You parece que eles tentaram, juntos, enxergar o que fazem tão bem separados, e aplicar juntos em seu projeto conjunto.

É o que torna The xx único. Seus álbuns, por mais diferentes que xx e I See You pareçam agora, tem um senso de polidez, de perfeccionismo em cada canto (o material gráfico de xx era lindo). Se soa diferente, é a intimidade e a vulnerabilidade percorrem todos os três álbuns. E justamente a intimidade que os três integrantes da banda conseguem entregar que exibe a força deles. Visto quanto xx influenciou nesses últimos anos, eu não duvido que I See You não vá ser diferente.


I See You (2017, Young Turks) já está no Spotify. Eu recomendo “Dangerous”, “Performance” e “Brave For You”, mas o álbum todo é bom.