Se você é como eu, deve passar muito tempo olhando o catálogo do Netflix, buscando aquele filme. Ele é um tipo bem específico. Ele é diferente, mas não necessariamente conceitual. Ele parece ser bom, mas se não for, pelo menos valeu a viagem. Ele tem algo a mais. Aquilo que te faz buscar por ele, que outros filmes não o fazem. O problema é: muitas vezes, não é no Netflix que eu vou encontrar.

E não é questão de serviço. Eu faço o mesmo com outros serviços com opções mais seletas, como o HBO Go e o Cinemax. Eu também procuro por esse filme no catálogo diversificado (e desorganizado) do Telecine Play. E assim, depois de uma duas horas procurando, eu já estou com sono, ou com outra coisa a ser feita. E eu perdi a chance de ver aquele filme.

Meus camaradas, a questão é que estamos todos olhando pro lugar errado. O lugar perfeito para encontrar, todos os dias, um bom filme pra ver não fica no catálogo imenso do Netflix, ou nos seletos da HBO Go. Com uma proposta diferente, o MUBI nos oferece a chance de assistir grandes filmes.

A proposta do MUBI é diferente de outros serviços de streaming desde seu princípio. Começando como uma rede social de filmes em 2007 fundada pelo turco Efe Carakel, o MUBI cresceu para uma verdadeira cinemateca em 2012, quando começou a oferecer filmes independentes, clássicos ou avant garde para alguns países, como Estados Unidos, Inglaterra e França. No início de 2014, o serviço chegou ao Brasil, e apresentou-se uma excelente pedida para quem quer ver muito filme bom por aqui.

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Não possuindo um vasto catálogo, o MUBI oferece a chance de você assistir apenas 30 filmes por mês. Todos os dias, um novo filme entra no catálogo, enquanto um sai. Hoje, por exemplo, entrou o documentário americano Psychohydrography, enquanto o chinês Lotus está em seu último dia. Você pode ainda baixar esses filmes em seu iPhone, iPad, Android ou Chromecast e assistí-lo quando não estiver com uma boa internet, por exemplo.

O MUBI possui uma seleção que raramente deixa a desejar. Como eu disse no início do post, eu não preciso necessariamente gostar do filme que eu vi, mas a seleção do MUBI raramente dá aquela sensação de que o filme sequer me acrescentou algo. E se você assinar ele agora, terá a chance de assistir filmes excelentes, como Monty Python em busca do cálice sagrado, do Terry Gilliam; o sensacional Princesa Mononoke, de Miyazaki; o inesquecível Morangos Silvestres do mestre Ingmar Bergman; ou o belíssimo True Heart Susie, de D. W. Griffith, um dos grandes mestres do cinema mudo.

E o MUBI tem essa cara de “cinemateca online” sempre. Filmes da Indonésia, da Nova Zelândia, do Congo e da Bolívia, por exemplo, aparecem com considerável frequência. Quais as suas chances de poder vê-los novamente por aqui, por exemplo? Ultimamente, o MUBI anda apostando nas suas parcerias com a Criterion Collection (um dos melhores catálogos de excelentes filmes), os festivais de Berlim, Cannes e de Nova York, além de oferecer algumas mostras especiais no meio do ano, com mostras de curtas do festival Cinema Landscapes, que nos oferece um belo panorama do cinema do mundo todo.

Crescendo cada vez mais, o MUBI consegue fechar parcerias com ainda mais empresas que possuem filmes que o site busca trazer para o público. Seja ajudando nas restaurações da Criterion, ou comprando os direitos de exibição mundial de Junun, o excelente documentário de Paul Thomas Anderson, o MUBI parece cada vez mais forte no mercado de streaming, não por possuir um público gigante como o Netflix ou o Amazon Prime, mas por manter uma qualidade sempre bastante alta e se importar com o mercado no qual ele se encontra.

Além de ainda ser uma excelente rede social para filmes (embora, para isso, eu prefira o Letterboxd) e possuir excelentes apps para Android e iOS, o MUBI exibe filmes em sua maioria em alta qualidade (o melhor lugar para assistí-los é no PlayStation, onde o site possui aplicativos dedicados). Alguns poréns valem ser ressaltados: a grande maioria dos filmes exibido é de origens estrangeiras, e normalmente as opções de legenda são em inglês. É estranho ver um filme coreano como Oldboy e ter de acompanha-lo legendado em outra língua, mas é uma pequena barreira a ser enfrentada quando você tem uma excelente coleção de filmes a apenas US$ 5 dólares por mês de distância.