Wolfgang Amadeus Phoenix diverte pra sempre

A “busca pelo pop perfeito” é incessante. Mesmo pra Michael Jackson, que já o encontrou mais de uma vez, o pop perfeito era algo que se metamorfoseava toda a vez que ele o encontrava. Não é a toa. O pop em si se transforma a cada punhado de anos, e se você parar pra pensar no que era pop antes, e o que é pop agora, pode se espantar: o pop como gênero é uma eterna transformação. Atingir essa perfeição, então, não é só fruto de conhecer o seu tempo, é também saber o que virá pela frente.

Em termos muito extremos, é isso que Wolfgang Amadeus Phoenix faz. O quarto álbum de estúdio da banda indie francesa Phoenix homenageia Mozart no seu título não por acaso. Mozart aqui não é só inspiração pro método de fazer música (WAP usa composições milimetricamente pensadas, as vezes com grandiosidade, as vezes com esperteza), mas também na recepção. Com Wolfgang Amadeus Phoenix, a banda deixou de ser “aquela banda legal que pouca gente ouve” pro “consenso universal de música boa”. O motivo? Eles encontraram o pop perfeito.

Ao usar como referência um dos maiores compositores da história da música, usar fórmulas matemáticas para compôr versos e melodias e entender onde estavam, e pra onde precisavam seguir, o Phoenix entrega desde a primeira música, “Lisztomania”, uma resposta ao que se ouvia (e o que se ouve, até hoje) de forma bastante casual. Em um mundo pós-_Discovery_, em que a pista de dança foi redefinida, o Phoenix sai do “dance music” francês típico, que brinca de ser Daft Punk, e entrega filhos de “One More Time”. Com “1901” e “Rome”, os versos parecem aleatórios enquanto as melodias se encontram perfeitas. Como se fossem músicas do Daft Punk, existe um perfeccionismo técnico nos sons que os tornam ao mesmo tempo inovadores e reconhecidos.

Mas Wolfgang Amadeus Phoenix sai da sombra da “fórmula-Daft Punk” ao mesmo tempo que busca ir para frente. WAP reflete o seu momento. A música pop em 2009 era casual e embalada pelo divertimento, e surpreende que o Phoenix o levasse a um extremo com músicas como “Lasso” e “Girlfriend”, exemplos extremos de músicas que se fazia naquele ano (porém, aqui, com os padrões altíssimos que permeiam todo o álbum). Porém, Phoenix não se segura e larga, quase que no meio de seu álbum, um verdadeiro ensaio do porquê eles fazem música como fazem, e para onde eles pretendem ir dali pra frente. Com a grandiosa e excelente “Love Like A Sunset”, dividida em duas partes, o Phoenix mira mais alto do que jamais tinha feito — ou que fez até hoje, já que Bankrupt! é, basicamente, uma continuação desse álbum.

E essa junção de tanta coisa em apenas dez faixas jamais deixa Wolfgang Amadeus Phoenix parecer um álbum inflado. Os elementos passados, presentes e futuros da banda estão tão bem dosados quanto as melodias calculadas, os loops cuidadosos ou as canções de Mars, finalmente confortável cantando como ele canta. Wolfgang Amadeus Phoenix reflete muito a música pop de seu tempo, mas é perfeita até hoje por possuir uma fortíssima confiança casual em sua música, como se ela fizesse parte de nossa herança musical por décadas.

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